11/03/2026

Sistemas multiagentes de IA vão redefinir o fluxo do trabalho corporativo

Por Rodrigo Gomes, Head da Selbetti Process Solutions

Com a explosão de anúncios nos últimos dias sobre novos agentes de IA e suas capacidades, é natural que cada vez mais a tecnologia passe a ser discutida como infraestrutura. Grandes plataformas corporativas já operam com camadas multiagentes integradas a ERPs, CRMs e sistemas de ITSM, BPMS e RPA, deslocando a inteligência artificial do campo assistivo para o campo decisório.  

O debate mais avançado não gira mais em torno da presença de agentes em aplicativos, mas da coordenação entre eles, do controle econômico da autonomia e da responsabilidade jurídica sobre ações executadas sem intervenção humana direta. Se na fase anterior a pergunta era “como usar IA?”, agora a questão estratégica é outra: “quem governa a execução algorítmica do trabalho?”.

Prova disso é o uso crescente de plataformas como OpenClaw — um framework open-source de agentes autônomos que executa tarefas completas conectando modelos como Claude Opus 4.6, e o fortalecimento de agent teams no Claude, que permitem coordenação de múltiplos agentes em sequências complexas de ações. Especialistas descrevem essa fase como uma transição para uma inteligência distribuída inserida diretamente no processo produtivo, cuja governança, custos e responsabilidade jurídica passaram do campo teórico para o centro das decisões de TI e negócios.

Da mesma forma, o próprio Claude ampliou a capacidade de agentes que realizam fluxos de trabalho entre múltiplas aplicações corporativas, conectando Google Workspace, Excel, PowerPoint e automações com APIs empresariais, mantendo contexto e realizando etapas encadeadas, avançando para o que muitos técnicos chamam de infraestrutura de agente com coordenação integrada.

Essa fase representa uma transição para uma inteligência distribuída inserida diretamente no processo produtivo, cuja governança, custos e responsabilidade jurídica passaram do campo teórico para o centro das decisões de TI e negócios.  

Governar a execução algorítmica, hoje, significa gerenciar não apenas comportamentos de agentes, mas custos reais de execução, riscos de segurança de fluxos autônomos e regras formais de compliance que possam ser auditadas e revisadas em tempo real.

Arquiteturas multiagentes maduras: já estamos aqui?

A arquitetura que sustenta sistemas multiagentes vai muito além de um modelo generativo agindo isoladamente, unindo orquestração, comunicação especializada entre agentes, controles de política corporativa e observabilidade contínua.  

Essas camadas estão se tornando padrão nas implementações empresariais porque resolvem um problema central: como sistemas autônomos colaboram de forma coerente e segura dentro de ambientes de software complexos e heterogêneos.

Na prática, frameworks de agentes que incorporam esses princípios técnicos já existem e são amplamente utilizados. Um exemplo é o OpenClaw, um framework open source de agentes autônomos que ganhou popularidade mundial, recentemente, embora sua arquitetura não ofereça a segurança necessária.

O OpenClaw atua como uma camada de orquestração em que múltiplos agentes podem ser configurados com seus próprios contextos, históricos de sessão e bibliotecas de habilidades, permitindo que agentes especialistas trabalhem em conjunto sem contaminar contextos entre si. Essa arquitetura de roteamento e de áreas de trabalho isoladas reflete um entendimento mais maduro de como orquestrar agentes especializados em tarefas distintas ao longo de fluxos de trabalho mais amplos.

Riscos e exposição de dados

Ao mesmo tempo, a popularidade massiva de repositórios públicos de “skills” para agentes, inclusive com marketplaces não moderados, expôs desafios sérios de confiança e cadeia de suprimentos. Auditorias recentes revelaram que uma parcela das habilidades compartilhadas continha malware ou vulnerabilidades exploráveis, ilustrando que atualmente a maior vulnerabilidade não está apenas nos modelos, mas em toda a cadeia de execução de agentes e nas dependências de software que esses sistemas trazem consigo.

É nessa lacuna de governança técnica que arquiteturas corporativas estão se distanciando de implementações experimentais: algumas empresas estão separando a camada de execução autônoma da camada de política organizacional, assim como os times de TI isolam serviços críticos do restante da infraestrutura.  

Uma resposta técnica a esse desafio é o conceito de “authenticated workflows”, uma abordagem que trata a segurança como parte integral e determinística dos limites operacionais dos agentes, aplicando prova criptográfica de integridade em cada ação proposta antes de sua execução. Essa abordagem busca garantir que todas as operações respeitem políticas corporativas e regras de compliance, ressaltando que segurança e governança não são filtros, mas subsistemas essenciais na arquitetura de agentes.

A necessidade de mecanismos tão robustos não é teórica. A própria experiência de profissionais que testam essas arquiteturas expõe lacunas críticas de execução, controle e supervisionamento. Relatos recentes mostram que agentes que operam continuamente podem interpretar instruções de forma ampla, executar comandos inesperados ou tentar ações não autorizadas se as fronteiras de autoridade e escopo não forem explicitamente definidas e tecnologicamente reforçadas.

Esse ambiente de risco e complexidade fez com que fornecedores e integradores de tecnologia começassem a tratar governança e observabilidade de agentes como infraestrutura tão essencial quanto armazenamento de dados ou redes corporativas. Em vez de ferramentas pontuais, arquiteturas maduras adotam painéis de monitoramento que coletam telemetria de decisões algorítmicas, trilhas de auditoria completas e mecanismos de human-in-the-loop bem definidos que permitem ajustes e intervenções em tempo real, sem interromper a operação autônoma. Essa evolução aproxima os sistemas multiagentes de modelos que as organizações reconhecem como confiáveis e auditáveis, condição indispensável para adoção em escala.

A consolidação da inteligência distribuída nas operações corporativas depende, portanto, menos das capacidades isoladas dos modelos e mais da arquitetura de governança, transparência e segurança que os sustenta. Organizações que tratam agentes autônomos como extensão de sua infraestrutura crítica, e não como experimentos pontuais, conseguem reconciliar autonomia de execução com controle organizacional, elevando ganhos operacionais sem comprometer integridade, conformidade ou confiança.

Sobre a Selbetti Tecnologia

A Selbetti Tecnologia é a maior One-Stop-Tech do Brasil, proporcionando um ecossistema completo de soluções para acelerar a transformação digital das empresas. Com quase 50 anos de história e um time de mais de 2,2 mil profissionais, a empresa atua como um hub de tecnologia que conecta automação, infraestrutura, inteligência artificial e experiência digital e física para impulsionar a eficiência e o crescimento dos negócios.

A Selbetti oferece soluções tecnológicas integradas que transformam operações e aumentam a competitividade das empresas, a partir de um ecossistema estruturado em oito unidades de negócios, cobrindo de forma estratégica as necessidades do mercado de tecnologia. Conheça:

Selbetti Print Solutions: entrega gestão inteligente de impressão, com soluções de outsourcing e monitoramento de parques de impressão, garantindo mais eficiência e controle para as empresas;

Selbetti IT Devices: atua no gerenciamento completo do ciclo de vida de dispositivos de TI, oferecendo locação de notebooks, desktops, smartphones e demais ativos. Além disso, disponibiliza portaria virtual, central de monitoramento e venda de equipamentos seminovos, unindo tecnologia, sustentabilidade e segurança para ambientes corporativos;

Selbetti Label Solutions: unidade de negócios que se destaca em captura automática de dados e identificação (AIDC), combinando fabricação de etiquetas, fornecimento de hardware e suprimentos para rastreabilidade e logística, garantindo mais eficiência operacional;

Selbetti Process Solutions: transforma a gestão documental e a automação de processos, com um portfólio modular que inclui RPA, assinatura digital e eletrônica, sistema de cobrança bancária e inteligência na digitalização de documentos, tornando os fluxos empresariais mais ágeis e inteligentes;

Selbetti IT Solutions: fortalece a infraestrutura tecnológica das empresas, garantindo segurança, confiabilidade e escalabilidade com soluções de cibersegurança, fieldservice, servidores, cloud, data science e inteligência artificial;

Selbetti Customer Experience: revoluciona o atendimento ao cliente (CX) com uma plataforma omnichannel completa, que integra chat e voicebots, URA, discador automático, monitoria de qualidade e inteligência artificial, proporcionando uma comunicação fluida e automatizada;

Selbetti Retail Experience: transforma a experiência no varejo, oferecendo soluções de cartazeamento, gestão de ofertas, rádio indoor e retail media networks, além de etiquetas impressas e eletrônicas que personalizam e otimizam a jornada do consumidor no ponto de venda;

Selbetti Business Consulting: oferece consultoria estratégica de TI, auxiliando empresas na gestão de projetos e processos, segurança da informação e transformação digital. Além disso, atua na alocação de profissionais especializados, como gestores de projeto (GP) e desenvolvedores (DEV), garantindo excelência na execução de iniciativas tecnológicas.

Selbetti Data & AI Solutions: apoia empresas na transformação de dados em ativos estratégicos de negócio, com foco em governança, qualidade da informação, analytics avançado e uso responsável da inteligência artificial. A área atua desde a organização e padronização dos dados até a aplicação de modelos analíticos e soluções de IA alinhadas às necessidades do negócio e às exigências regulatórias;

Selbetti Cybersecurity Solutions: atua de forma integrada em segurança da informação, privacidade de dados e operações de cibersegurança, apoiando empresas na identificação de riscos, proteção de ambientes digitais, detecção de ameaças e resposta a incidentes, com foco em governança, continuidade operacional e resiliência digital;

Fundada em 1977, a Selbetti carrega a inovação no DNA. A missão da empresa vai além da tecnologia, e conecta pessoas, dados e inovação para transformar desafios em oportunidades e acelerar o futuro das empresas. Com um olhar voltado para o amanhã, a Selbetti segue expandindo sua atuação, e consolidando sua posição como um dos principais vetores de inovação no Brasil.


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