Serviços na nuvem e IA aumentam a importância da rede de longa distância gerenciada por software
Por Filipe Sulprino Batista, Especialista de Produtos da Deutsche Telekom Global Business Solutions
As atividades produtivas, independente do setor, têm cada vez mais dependência da conexão para alcançar os objetivos de negócio. Segundo a Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas empresas brasileiras – TIC Empresas 2024, ao longo dos anos o uso de tecnologias que demandam infraestrutura de conexão cresceu. De 2019 a 2024 o percentual das empresas de todos os portes que pagam por capacidade de processamento em nuvem subiu de 23% para 33%. Entre as empresas de grande porte, o percentual subiu de 37% para 53%.
No mesmo período, a quantidade de empresas que usam software de escritório em nuvem passou de 27% para 34%, a adoção de e-mail na nuvem subiu de 39% para 52% e o armazenamento de arquivos ou banco de dados na nuvem passou de 38% para 49%. Ainda de acordo com a Pesquisa, o uso de IoT, outra tecnologia que indica o avanço da digitalização, subiu de 21% em 2021 para 28% em 2024 nas empresas médias, já entre as grandes 37% responderam usar esses dispositivos. Segundo o TIC Empresas estima-se que no Brasil 70.546 empresas utilizam dispositivos inteligentes ou de IoT.
Além das aplicações já usadas, a perspectiva é de maior dependência nos serviços de conexão para atender a novas tecnologias como a inteligência artificial (IA) física, embarcada em robôs, drones, veículos autônomos e outros dispositivos. O crescimento deste tipo de IA deve pressionar a infraestrutura de redes e mudar a forma como as empresas planejam as conexões física e móvel, demandando redes que mantenham a capacidade de download e também tenham alta capacidade de upload. Atualmente, a infraestrutura de conexão é pensada para atender à demanda das pessoas e passa a ser necessário avaliar como essa infraestrutura pode atender a demanda dos dispositivos conectados, que capturam informações e encaminham dados para data centers.
O aumento da dependência de tecnologias que demandam conexão reforça a necessidade de uma arquitetura de rede bem planejada e o papel estratégico do SD-WAN (Software-Defined Wide Area Network), rede de longa distância definida por software, que permite o gerenciamento de diferentes links de conexão de forma centralizada e prioriza aplicações de acordo com regras de negócio estabelecidas pela empresa. Uma rede gerenciada por software possibilita a monitoração constante do desempenho de cada conexão, em caso de falhas acontece o redirecionamento automático do tráfego, permitindo o funcionamento ininterrupto das aplicações, o que melhora a experiência do usuário.
Mais capacidade de download, upload e menor latência
A maior dependência de serviços na nuvem, a ampliação de IoT e a necessidade de aumentar o upload de dados demanda que as empresas invistam em diferentes tipos de conexão para atender a necessidade de cada operação. Desta forma, certas estruturas serão atendidas por uma conexão fixa de fibra ótica, outras por conexão móvel, feita por redes celulares em áreas onde há infraestrutura disponível, e a depender da atividade da empresa também pode ser necessário o uso de conexões via satélites de baixa órbita (LEO).
A maior adoção de tecnologias que demandam conexão para possibilitar a comunicação com outras unidades, data centers ou simplesmente acessar a internet, aumenta a pressão sobre os departamentos responsáveis pela conexão e TI corporativos, que precisam desenvolver arquiteturas de rede capazes de atender as demandas atuais e que podem ser, facilmente, adaptadas para cumprir as demandas futuras.
Essa arquitetura de rede deve considerar as necessidades de cada unidade da empresa, a localização geográfica, a criticidade da operação e avaliar as soluções adequadas considerando a disponibilidade de infraestrutura terrestre com cabos de fibra óptica e a proximidade de torres 4G/LTE ou 5G.
Mas para que isso funcione de forma orquestrada, inteligente, automatizada e sem falhas é necessário que todas as conexões estejam sob o controle do SD-WAN. O software pode priorizar atividades que demandam maior capacidade de transferência de dados e menor latência como uma videoconferência, com base em critérios como latência, jitter (variação no tempo de chegada dos dados), perda de pacote de dados e disponibilidade. O SD-WAN usará as conexões que possam oferecer melhor desempenho, o que gera mais segurança e aumenta a confiabilidade na transmissão. Já para trabalhos que não demandam imediatismo, como a localização de um arquivo antigo armazenado na nuvem o software pode determinar a transferência de informações por uma conexão com menor desempenho.
Roteamento inteligente
Desenvolver uma infraestrutura de rede capaz de atender as demandas do presente e do futuro não significa apenas contratar mais links, mas a adoção de um conceito de conectividade flexível com uma arquitetura que integre diferentes tecnologias de conexão de forma coordenada, com governança e visibilidade centralizada. Isso possibilita que as redes se adaptem de acordo com as condições técnicas de cada localidade sem comprometer desempenho ou continuidade do trabalho.
Nas empresas com ambientes distribuídos, ou seja, operando em diferentes pontos, a tecnologia de orquestração do SD-WAN integra as conexões em uma estratégia unificada, que combina internet dedicada, rede móvel e conectividade via satélite. Isso possibilita à organização reduzir disparidades de desempenho entre localidades e melhorar a experiência do usuário, que deixa de depender exclusivamente da infraestrutura regional e passa a utilizar o desenho da arquitetura global da empresa e onde cada tecnologia cumpre um papel específico.
A internet dedicada pode oferecer previsibilidade e controle em regiões com infraestrutura consolidada. A conectividade móvel atende colaboradores que fazem trabalho de campo ou estão em operações localizadas fora dos escritórios em centros urbanos, como fazendas, fábricas e operações de logística, e a conectividade via satélite amplia o alcance e garante a operação em áreas onde a infraestrutura é limitada ou inexistente. A orquestração de rede permite integrar esses meios, priorizando tráfego e distribuindo carga conforme a necessidade operacional.
O crescimento dos volumes de dados e de dispositivos IoT conectados impõem maiores demandas de desempenho e segurança das redes, o que aumenta a importância da integração das conexões em diferentes localidades e a necessidade de soluções capazes de manter padrões de desempenho com visibilidade e monitoramento contínuo. O gerenciamento das redes por meio de software atende essas demandas, além de ampliar a resiliência, aumentar a segurança das conexões e da empresa, que pode promover sua expansão geográfica sem comprometer a experiência das equipes e a integridade dos sistemas corporativos.
Sobre a Deutsche Telekom Global Business
A Deutsche Telekom Global Business foi criada na Alemanha em 2020 para ser a unidade de negócios de serviços de comunicação e conectividade do grupo Deutsche Telekom para clientes B2B. A Deutsche Telekom Global Business foi lançada no Brasil em 2023, mas o grupo já atua com serviços de telecomunicações desde 2005.
A empresa atua em mais de 25 mercados ao redor do mundo e tem cerca de 3 mil funcionários. O portfólio de serviços está focado em redes corporativas flexíveis e seguras como base para a digitalização e a consultoria estratégica está no centro do modelo de negócios. O portfólio de soluções inclui Links de internet, Lan to Lan, SD-WAN, MPLS (Multi-Protocol Label Switching), FWA (Fixed Wireless Access), conexão por satélite, Wi-Fi e soluções de conectividade IoT/M2M.
A Deutsche Telekom é a operadora líder na Europa, com mais de 273 milhões de clientes móveis, 24 milhões de linhas fixas, 22 milhões de linhas de banda larga e 200 mil funcionários em todo o mundo.
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