28/08/2026

Resolução Conjunta nº 18 transforma 2026 em corrida de execução para instituições financeiras

Por Rafael Brych, Diretor de Ecossistema da Selbetti Tecnologia 

 

Nas agendas de diretoria de bancos, fintechs, instituições de pagamento e sociedades de crédito, uma data passou a organizar as discussões de tecnologia e compliance: 31 de dezembro de 2026. É o prazo final para a plena adequação à Resolução Conjunta nº 18, editada pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central em 28 de novembro de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026.  

A norma obriga todas as instituições autorizadas a funcionar pelo regulador a elaborar, implementar e manter uma Política de Qualidade das Informações, e o que parecia um horizonte confortável no início do ano se converteu, na virada do semestre, em uma janela estreita de execução.  

A leitura apressada da norma costuma reduzi-la a mais uma exigência documental, e é exatamente aí que mora o risco. O texto determina que a política identifique atribuições e responsabilidades das áreas envolvidas, inclusive da alta administração, e que a arquitetura de dados e a infraestrutura de tecnologia da instituição sejam capazes de sustentar as exigências de reporte, mesmo em situações adversas.  

Na prática, o regulador quer poder perguntar de qualquer número reportado: de qual sistema esse dado saiu, por quais transformações passou, quem respondia por ele em cada etapa e qual evidência comprova sua consistência. Isso tem nome técnico, rastreabilidade ponta a ponta, ou data lineage, e não se resolve com uma política bem redigida guardada na intranet.  

 

Qualidade de dados ainda é uma lacuna 

O tamanho do desafio fica mais claro quando se observa o ponto de partida do setor. Segundo o estudo de maturidade em gestão de dados da consultoria BLR DATA, que analisou 30 avaliações realizadas desde 2020 em uma escala de um a quatro, bancos e fintechs registraram média de 1,51, índice classificado como Reativo e inferior à média de 1,65 dos demais setores avaliados.  

O resultado desmonta a percepção de que o setor financeiro, por ser intensivo em informação e altamente regulado, já operaria com governança de dados madura. Boa parte das instituições ainda trata o dado de forma reativa, corrigindo o erro depois que ele aparece no reporte, quando a lógica da Resolução Conjunta nº 18 exige justamente o contrário: controle na origem, documentação das transformações e tratamento de causa raiz.  

O paradoxo é que essa lacuna convive com o maior orçamento de tecnologia do setor privado brasileiro. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Febraban em parceria com a Deloitte em sua 34ª edição, os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia neste ano, alta de 8% sobre 2025, com cibersegurança apontada como prioridade por 100% das instituições e nuvem e inteligência artificial por 84%.  

Investe-se muito, e cada vez mais em inteligência artificial, mas a base de dados que alimenta esses investimentos segue, em média, sem catálogo estruturado, sem linhagem documentada e sem regras de qualidade auditáveis. A Resolução Conjunta nº 18 força o setor a encarar essa dívida técnica com data marcada.  

 

Projetos fracionados criam gargalo de execução na reta final 

Diante do prazo, o movimento natural de muitas instituições é acionar o modelo tradicional de projeto: contratar uma consultoria para desenhar a política e os processos, abrir uma concorrência separada para adquirir ferramentas de catálogo e linhagem de dados e destacar a equipe interna para implementar tudo, acumulando essa missão com a operação do dia a dia.  

Esse arranjo funcionava quando havia dois ou três anos de horizonte, mas se torna um gerador de gargalos quando restam poucos meses. Cada transição entre consultoria, fornecedor de software e time interno cria uma fronteira na qual o conhecimento se perde, o cronograma se estica e a responsabilidade se dilui. 

Nesse processo, a consultoria entrega um diagnóstico e um desenho de processos tecnicamente corretos, mas desconectados das ferramentas que serão compradas depois. A ferramenta chega e exige meses de configuração, integração com sistemas legados e conectores que ninguém mapeou na fase de diagnóstico.  

A equipe interna, pressionada pela operação corrente, vira o gargalo final, e a instituição chega a dezembro com uma política aprovada pelo conselho, um software licenciado e uma rastreabilidade que existe no papel, mas que talvez não resista ao dia a dia. 

 

Esteira integrada de execução reduz o risco regulatório 

O caminho com maior probabilidade de sucesso na reta final passa por tratar a adequação como uma esteira única de execução, na qual metodologia de governança, tecnologia de data lineage e capacidade de implementação operam sob o mesmo comando e o mesmo cronograma.  

Esse formato muda a matemática do prazo. Squads dedicados de dados eliminam a disputa de agenda com a operação corrente, que é a causa mais comum de atraso em projetos regulatórios. Plataformas modernas automatizam o mapeamento de origem e transformação dos dados, tarefa que consumiria meses se feita manualmente, planilha a planilha. 

E a integração entre metodologia e tecnologia evita o retrabalho clássico de redesenhar processos porque a ferramenta escolhida depois não os comporta. A conformidade deixa de ser um evento de entrega em dezembro e passa a ser construída de forma incremental, com marcos verificáveis ao longo do semestre, o que também reduz o risco de a instituição descobrir tarde demais que não vai chegar. 

Em resumo, a Resolução Conjunta nº 18 vai separar as instituições que trataram a qualidade dos dados como fundação da sua operação daquelas que a trataram como entregável de projeto, e essa distinção ficará visível para os gestores, para o mercado e para os investidores muito antes de 31 de dezembro. 

 

Sobre a Selbetti Tecnologia 

A Selbetti Tecnologia é a maior One-Stop-Tech do Brasil, proporcionando um ecossistema completo de soluções para acelerar a transformação digital das empresas. Com quase 50 anos de história e um time de mais de 2,2 mil profissionais, a empresa atua como um hub de tecnologia que conecta automação, infraestrutura, inteligência artificial e experiência digital e física para impulsionar a eficiência e o crescimento dos negócios. 

A Selbetti oferece soluções tecnológicas integradas que transformam operações e aumentam a competitividade das empresas, a partir de um ecossistema estruturado em dez unidades de negócios, cobrindo de forma estratégica as necessidades do mercado de tecnologia. Conheça: 

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Selbetti IT Solutions: fortalece a infraestrutura tecnológica das empresas, garantindo segurança, confiabilidade e escalabilidade com soluções de cibersegurança, field service, servidores, cloud, data science e inteligência artificial; 

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Selbetti Data & AI Solutions: apoia empresas na transformação de dados em ativos estratégicos de negócio, com foco em governança, qualidade da informação, analytics avançado e uso responsável da inteligência artificial. A área atua desde a organização e padronização dos dados até a aplicação de modelos analíticos e soluções de IA alinhadas às necessidades do negócio e às exigências regulatórias; 

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Fundada em 1977, a Selbetti carrega a inovação no DNA. A missão da empresa vai além da tecnologia, e conecta pessoas, dados e inovação para transformar desafios em oportunidades e acelerar o futuro das empresas. Com um olhar voltado para o amanhã, a Selbetti segue expandindo sua atuação, e consolidando sua posição como um dos principais vetores de inovação no Brasil. 

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Legenda: Rafael Brych, Diretor de Ecossistema da Selbetti Tecnologia 
Créditos: Arquivo/Reprodução