19/02/2026

É preciso estimular o jovem a trabalhar na indústria

Por Aline Barbosa Mader, Gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional do setor de Gente e Gestão do Grupo Flexível

 

Ter um emprego na indústria sempre foi uma meta de profissionais e sonho de muitos pais para seus filhos, que viam no setor boas oportunidades, salários acima da média e estabilidade profissional. Mas as mudanças na sociedade, nas prioridades das pessoas e a tecnologia estão alterando esse cenário.  

 

Segundo a pesquisa Rumos da Indústria Paulista: Mercado de Trabalho, da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Senai-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SP), realizado pelo Instituto Locomotiva, 77,1% das indústrias em São Paulo tiveram dificuldade para preencher vagas entre 2024 e 2025.  

 

A pesquisa ainda revelou uma mudança de comportamento: 58% dos entrevistados desejam trabalhar por conta própria, enquanto apenas 11% preferem atuar na indústria. Na geração anterior, a indústria era o sonho de 24% dos profissionais. Segundo o estudo, 67% acreditam que a carteira assinada não garante mais segurança no futuro e 64% afirmam que o modelo formal tem pouca flexibilidade para equilibrar vida pessoal e profissional.  

 

Uma das causas apontadas pelo estudo para o desinteresse em trabalhar na indústria é a busca pelo empreendedorismo, gerado pelo avanço de trabalhos por aplicativos e as redes sociais. A dificuldade de encontrar profissionais não é exclusiva da indústria. Há alguns meses o CEO de uma das maiores construtoras do Brasil disse em uma conferência de resultados: “As pessoas não querem mais trabalhar com obra. Querem ser influencer ou motoboy”.

 

Economia de aplicativos e redes sociais

Ao analisarmos números destas novas opções de carreira a afirmação faz sentido. O Brasil alcançou a marca de 1,654 milhão de pessoas trabalhando por meio de aplicativos e plataformas digitais em 2024, segundo o módulo Trabalho por meio de plataformas digitais – 2024 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em outubro de 2025. O número representa um crescimento de 25,4% em relação a 2022, quando havia 1,319 milhão de trabalhadores nessa modalidade.  

 

A pesquisa Do Feed ao Plenário: o debate sobre regulamentação de influenciadores digitais no Congresso Nacional, do Reglab - Centro de Estratégia & Regulação, think tank especializado em pesquisa e consultoria, informa que o Brasil tem 3,8 milhões de criadores de conteúdo, em um mercado que movimenta R$ 20 bilhões por ano. Mas este número pode ser muito maior, já que o estudo Creator Revolution, encomendado pela Meta à Creative Class, estima que o país pode somar cerca de 40 milhões de criadores de conteúdo.  

 

Já o setor industrial, de acordo com o IBGE, gera no Brasil 8,5 milhões de empregos em 376,7 mil empresas. Além disso, pesquisa da consultoria Youpix informa que três de cada quatro integrantes da geração Z, nascidos entre 1996 e 2010, pensam em se tornar influencers em busca de uma rotina de diversão, fama e boa remuneração. A faixa etária é justamente a mais difícil de ser recrutada pela indústria segundo a pesquisa Rumos da Indústria Paulista: Mercado de Trabalho, da Fiesp e do Senai-SP.

 

O setor industrial sempre realizou ações para incentivar adolescentes e jovens a terem interesse em trabalhar na indústria, promovendo visitas dos estudantes às plantas industriais e apoiando os eventos organizados por universidades e estudantes, chamados de Semanas e que contam com uma programação de palestras, workshops, mesas redondas, visitas técnicas e feiras de recrutamento para estágios.  

 

Mas também é necessário despertar a paixão pela indústria, mostrando a importância do setor para a sociedade e até para a economia de aplicativos e redes sociais. Pois sem setores como a mineração, a siderurgia ou a química, por exemplo, não seria possível ter os equipamentos e a infraestrutura que possibilitam a existência da internet, computadores ou celulares.  

 

Uma forma de estimular a paixão de adolescentes e jovens é patrocinar e fornecer insumos e equipamentos para competições onde os estudantes do ensino médio técnico e da graduação possam colocar em prática o conhecimento adquirido nas aulas, como o STEM Racing, First Tech Challenge, Baja e Fórmula SAE, Olimpíada Brasileira de Robótica, entre outros. Nestas competições os estudantes podem usar os produtos e as inovações da indústria e entender como eles são fundamentais para a sociedade e fazem parte do seu dia a dia.  

 

Indústria ainda é uma excelente opção profissional  

Os jovens, que buscam as ocupações geradas pela economia de aplicativos e os que desejam ser influenciadores, precisam estar cientes de que como qualquer outro trabalho, essas ocupações possuem regras e o caminho nem sempre é fácil.

 

No caso da economia por aplicativos, o módulo Trabalho por meio de plataformas digitais – 2024 da PNAD Contínua apontou que existe o controle das plataformas sobre a execução do trabalho, que 76,7% dos motoristas dependem da plataforma para definir quais clientes atender e 70,4% dos entregadores relatam que os prazos para a realização das tarefas são impostos pelo aplicativo.

 

As plataformas também utilizam estratégias como incentivos, bônus, promoções, ameaças de punições e bloqueios para influenciar as jornadas de trabalho. Em 2024, 55,8% dos motoristas e 50,1% dos entregadores relataram que sua jornada era impactada por esses incentivos e mudanças nos preços e mais de 30% mencionaram que foram submetidos a ameaças de punições ou bloqueios.

 

Segundo a Youpix, no Brasil 68% dos criadores precisam de outra fonte de renda e apenas 32% vivem integralmente da renda como influenciadores e criadores de conteúdo, destes menos de 1% atingem a marca de R$ 100 mil mensais em faturamento. Globalmente, o estudo Creator Revolution informa que 56% ganham menos de US$ 1.000 por ano.

 

O trabalho no setor industrial também tem regras e as melhores oportunidades profissionais demandam formação técnica ou universitária, mas atualmente há uma alta demanda do setor produtivo por profissionais capacitados. Segundo a Pesquisa de Acompanhamento de Egressos 2022-2024 do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) 85,6% dos profissionais formados pela instituição estão empregados, a maior porcentagem desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002.  

 

O indicador de incremento da renda da pesquisa, que compara a renda média durante e após o curso aponta que a renda média salarial após é de quase dois salários-mínimos. Os habilitados nos cursos técnicos de nível médio têm um incremento de 17,4% na renda; nos cursos de qualificação profissional o aumento é de 8%; e ex-alunos de graduação tem acréscimo de 8,7% no salário. Os profissionais que atuam na área de formação recebem mais do que aqueles que ocupam vagas em outros setores e ex-alunos de cursos técnicos de nível médio que trabalham na área, por exemplo, têm um ganho salarial até 27,6% maior.

Também é política de muitas indústrias oferecerem uma formação continuada para que os profissionais possam se desenvolver ao longo de toda a carreira, incluindo Planos de Desenvolvimento Individual (PDI) focados nas habilidades técnicas e comportamentais que precisam ser aprimoradas para que o profissional evolua na carreira.  

 

Uma boa formação técnica e experiência profissional podem, inclusive, ajudar em uma carreira como influenciador. Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, com mais de 3 milhões de inscritos no YouTube, tem formação técnica e superior em Manutenção de Aeronaves e antes de se dedicar em tempo integral à criação de conteúdo teve uma sólida carreira em sua área de formação. Sousa também é um dos fundadores da Lito Aviation Academy com cursos homologados pela ANAC, faz palestras, as atividades que geraram um faturamento de R$ 10 milhões em 2024.  

 

A indústria segue sendo um pilar essencial para o desenvolvimento econômico e social, oferecendo carreiras estruturadas, formação contínua e oportunidades reais de crescimento profissional. Mesmo diante das transformações no mundo do trabalho e do surgimento de novas ocupações, o setor industrial permanece como um ambiente onde o conhecimento técnico, a inovação e a disciplina se transformam em valor, impacto e soluções concretas para a sociedade. É na indústria que ideias ganham escala, qualidade e segurança, sustentando inclusive a economia digital e os avanços tecnológicos.

 

Escolher a indústria é optar por uma trajetória profissional sólida, com aprendizado constante, desenvolvimento de competências valorizadas no longo prazo e possibilidade de evolução consistente. Ao fortalecer o vínculo entre educação, tecnologia e propósito, o setor industrial continua sendo uma excelente opção para quem busca não apenas um emprego, mas uma carreira com significado, contribuição social e perspectiva de futuro.

 

 

Sobre o Grupo Flexível

Fundado em 1999, o Grupo Flexível é um dos maiores fabricantes nacionais desenvolvedores de tecnologias em químicas especializadas. Com sede em Jaraguá do Sul (SC) e filial em Extrema (MG), a empresa fornece soluções para diversos segmentos no Brasil e exporta para outros países da América do Sul. A empresa é proprietária da marca Polivedo, que fabrica produtos para as linhas de impermeabilizantes, selantes e pisos vinílicos, atendendo o setor da construção civil. O Grupo também é proprietário da EVO – Soluções Termoacústicas, com sede em São João do Itaperiú (SC), especializada em soluções termoacústicas de alta performance com poliuretano reciclado. A inovação faz parte do DNA do Grupo Flexível, que tem um dos mais completos laboratórios do país no segmento, e desenvolve soluções exclusivas e sob medida para seus clientes.

Para saber mais, acesse: https://grupoflexivel.com.br/

 


Legenda: Aline Barbosa Mader, Gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional do setor de Gente e Gestão do Grupo Flexível   
Créditos: Divulgação Grupo Flexível