18/09/2026

Papel da conectividade satelital no crescimento do IoT

Por Andreia Rosa, Especialista de Produtos e Vendas da Deutsche Telekom Global Business Solutions Brasil 

 

Em 2025, o Brasil adicionou 6,4 milhões de novas conexões de Internet das Coisas (IoT), encerrando o ano com 53,7 milhões de acessos desse tipo, o que representa um crescimento de 13,6% na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o crescimento das linhas destinadas a pessoas foi de 366 mil acessos, segundo a Anatel. 

No ano passado, aproximadamente 95% do crescimento de novos acessos veio de conexões IoT, contra cerca de 5% de linhas humanas. Em termos percentuais, o crescimento do IoT em 2025 foi de 13,6%. Para efeito de comparação, em 2024 foi de 9,9%. Em 2026 o Brasil já soma 57,9 milhões de acessos IoT, de acordo com a agência.  

Não há dúvidas de que o país avança na adoção de IoT e se consolida como principal hub da tecnologia na América Latina. Segundo a consultoria Grand View Research, em 2024 o mercado brasileiro de dispositivos IoT movimentou US$ 1,6 bilhão e deve ultrapassar os US$ 4,1 bilhões em 2030, com um crescimento anual estimado de 16,5% até 2030.  

O desenvolvimento do IoT e do M2M acontece por uma série de fatores como a manutenção da isenção do Fistel (Fundo de Fiscalização de Instalação) para estes dispositivos, a redução no custo do hardware, a expansão da conectividade móvel, a demanda por eficiência nos setores produtivos e medidas para melhorar o monitoramento de veículos e cargas, aumentando a segurança patrimonial e otimizando as operações logísticas. Outros fatores incluem o avanço em tecnologias como cloud, análise de dados e IA que agregam mais valor aos projetos de IoT e M2M nas empresas.  

 

Satélites LEO redefinem o mercado de IoT Brasil 

A expansão do IoT acontece em paralelo com o crescimento da adoção da conexão por meio de constelações de satélites de baixa órbita (LEO). Apesar de não ser o principal responsável pelo crescimento do IoT no Brasil, esse tipo de conexão já contribui para o mercado e pode se tornar um dos principais habilitadores da próxima fase de expansão, levando conectividade IoT a áreas onde redes terrestres são insuficientes ou economicamente inviáveis.  

Esse tipo de conexão pode solucionar o principal desafio dos fornecedores de soluções, serviços ou produtos relacionados ao IoT, entrevistados na pesquisa Panorama do IoT no Brasil 2026, que é a infraestrutura de conectividade. Para 24,5% dos entrevistados, embora haja avanços, ainda existem limitações relevantes na cobertura, estabilidade e qualidade das redes, especialmente fora dos grandes centros e em aplicações que exigem alta confiabilidade. 

Os avanços na conexão satelital LEO tornaram essa tecnologia acessível para muitas implantações de IoT devido aos custos mais reduzidos em comparação à conexão com satélites geoestacionários, compatibilidade dos dispositivos já usados na conexão móvel, por meio de protocolos padronizados, que possibilitam desde comunicações unidirecionais de baixa complexidade até aplicações bidirecionais de IoT. 

As constelações de satélites de baixa órbita possibilitam eliminar os gaps de cobertura das redes terrestres ampliando a área de funcionamento do IoT em localidades rurais, rodovias, no setor de mineração, energia, logística, localizados em regiões onde as redes terrestres, móvel ou fixa, não estão disponíveis. Isso possibilita que os dispositivos de IoT transmitam dados de qualquer lugar e de forma contínua.   

Essas valências são importantes considerando que segundo a pesquisa Panorama do IoT no Brasil, a principal aplicação da tecnologia é o monitoramento de equipamentos com 50% das respostas e a gestão de frota e rastreamento é a terceira principal aplicação segundo os respondentes com 12,5% dos apontamentos. As informações identificadas na pesquisa evidenciam o uso da tecnologia para controle de ativos, manutenção preventiva e redução de falhas, trabalhos que são potencializados com a conexão contínua, sem pontos de sombra. 

 

Decisões baseadas em dados 

A segunda aplicação mais citada no Panorama do IoT no Brasil é a gestão de dados e análises, com 25% das respostas. Isso indica que as empresas começam a avançar na utilização das informações geradas pelos dispositivos para a tomada de decisão. A conectividade contínua propicia aumentar o valor gerado por essa coleta e envio de dados. 

As constelações de satélites permitem criar a infraestrutura necessária para que máquinas possam transmitir dados continuamente, sistemas possam conversar entre si e empresas possam acompanhar operações remotas em tempo real, independentemente da localização do dispositivo. Esse tipo de conectividade é essencial para um país com as dimensões do Brasil e em que minas, fazendas, rodovias, linhas de transmissão, usinas e grandes obras frequentemente estão distantes dos grandes centros urbanos e da infraestrutura de conexão terrestre.  

Com uma conectividade contínua os dados gerados pelos dispositivos deixam de ficar isolados e podem ser analisados em tempo real. O que torna mais precisa a manutenção preditiva para identificar sinais precoces de desgaste ou falha e a emissão de alertas antes que um problema ocorra. Essa mudança de uma manutenção reativa para proativa reduz o tempo de inatividade, prolonga o ciclo de vida dos ativos e diminui os custos operacionais. 

Em aplicações como o setor de óleo e gás, por exemplo, sensores de vibração e pressão instalados em um poço, localizado em uma área remota, podem emitir alertas caso sejam detectadas leituras fora dos parâmetros normais. Esses alertas podem ser enviados por meio da conexão satelital ao centro de operações. Dessa forma, as equipes de manutenção, ou um drone, podem avaliar a situação e aplicar a solução correta, evitando deslocamentos desnecessários. 

Uma estratégia de conectividade híbrida com uma infraestrutura mais resiliente ajuda a solucionar um dos fatores que impede o maior avanço do IoT e aumenta o valor gerado pelos projetos em desenvolvimento com maior disponibilidade de dados. Mas é necessário que o profissionalismo no desenvolvimento do projeto também aconteça no momento de planejar e implementar a infraestrutura e conexão.  

A conexão por satélites de baixa órbita não deve ser encarada como um improviso ou quebra-galho com soluções criadas para atender o uso doméstico e sem o atendimento especializado e os acordos de nível de serviço precisam ser compatíveis com operações críticas.  

É necessário a adoção de soluções corporativas de conexão com monitoramento, gestão centralizada, oferta de disponibilidade, segurança, estabilidade e continuidade operacional, o que reduz riscos de perda de pacotes de dados e garante o envio constante dos dados seja para saber onde um ativo está, tomar decisões críticas que aumentam a produção ou promover a segurança pessoal e patrimonial.  

 

Sobre a Deutsche Telekom Global Business  

A Deutsche Telekom Global Business foi criada na Alemanha em 2020 para ser a unidade de negócios de serviços de comunicação e conectividade do grupo Deutsche Telekom para clientes B2B. A Deutsche Telekom Global Business foi lançada no Brasil em 2023, mas o grupo já atua com serviços de telecomunicações desde 2005.  

A empresa atua em mais de 25 mercados ao redor do mundo e tem cerca de 3 mil funcionários. O portfólio de serviços está focado em redes corporativas flexíveis e seguras como base para a digitalização e a consultoria estratégica está no centro do modelo de negócios. O portfólio de soluções inclui Links de internet, Lan to Lan, SD-WAN, MPLS (Multi-Protocol Label Switching), FWA (Fixed Wireless Access), conexão por satélite, Wi-Fi e soluções de conectividade IoT/M2M.  

A Deutsche Telekom é a operadora líder na Europa, com mais de 273 milhões de clientes móveis, 24 milhões de linhas fixas, 22 milhões de linhas de banda larga e 200 mil funcionários em todo o mundo.  

Mais informações: https://www.telekom.com.br 


Legenda: Andreia Rosa, Especialista de Produtos e Vendas da Deutsche Telekom Global Business Solutions Brasil 
Créditos: Arquivo/Reprodução