18/10/2026

NR-1 faz da gestão de documentos a prova da gestão de riscos psicossociais

Por Romel Tolentino, Vice-Presidente Comercial para a América Latina da Access 

 

As empresas costumam discutir a inclusão dos fatores de risco psicossociais na NR-1, norma do Ministério do Trabalho e Emprego que organiza a segurança e a saúde no trabalho no Brasil, como um tema de Recursos Humanos, ligado a programas de bem-estar, à prevenção do assédio e à preparação das lideranças. Cumprido o período em que o ministério orientou a fiscalização a priorizar a instrução das empresas, a discussão mudou de natureza. 

Comprovar a gestão de riscos psicossociais é, na prática, um trabalho de gestão de documentos. A avaliação que identificou os riscos, o plano que definiu as medidas, o treinamento que preparou as lideranças e o relato que chegou pelo canal de escuta precisam estar registrados, associados à equipe e ao período. Quanto mais distribuída é a operação, com unidades em vários Estados, turnos e equipes terceirizadas, maior é o volume de evidências que sustenta essa demonstração. 

Esse rigor acompanha o avanço dos afastamentos. Segundo balanço de 2025 divulgado pelo Ministério da Previdência Social, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária motivados por transtornos mentais e comportamentais, 15,66% a mais do que os 472.328 do ano anterior, com transtornos ansiosos e episódios depressivos à frente das concessões.  

Cada um desses afastamentos produz documentos, do atestado que fundamenta o benefício ao exame de retorno ao trabalho que o encerra, e todos passam a interessar à gestão de riscos, porque ajudam a indicar em quais pontos a organização do trabalho precisa mudar. 

 

Inventário de riscos e plano de ação reúnem registros de várias áreas 

Para as empresas o cumprimento da norma, em essência, está consolidado em dois documentos: o inventário de riscos, no qual a empresa anota o que encontrou ao avaliar a organização do trabalho, de metas e jornadas à relação entre as equipes; e no plano de ação, que define o tratamento a cada risco, quem responde por cada medida e até quando. 
 
As evidências que alimentam esses dois documentos, porém, nascem em áreas diferentes. A área de RH, por exemplo, aplica pesquisas de clima e guarda resultados. Canais de denúncia concentram relatos dados por funcionários anonimamente, assim como a área de Saúde e Segurança vai armazenar informações relativas à saúde ocupacional.  

Cada área produz as próprias evidências, no próprio sistema e no próprio ritmo, e, sem um responsável pelo conjunto, a comprovação fica espalhada entre planilhas, mensagens e pastas de rede. Um treinamento de lideranças, por exemplo, só funciona como evidência se a empresa conservar o conteúdo aplicado, a lista de presença e a relação entre o treinamento e o risco que o motivou. 

As empresas também precisam rever as avaliações a cada dois anos, no máximo, ou a cada três quando mantêm um sistema certificado de gestão de segurança e saúde. Cada revisão vira uma versão nova do inventário e do plano de ação. A NR-1 manda que a empresa guarde o histórico dessas versões por pelo menos 20 anos, com as evidências que acompanham cada uma, do resultado da pesquisa aos registros de treinamento do período. No dia a dia, isso significa conseguir responder qual versão valia em cada data, mesmo depois de trocar de sistema, de fornecedor e de equipe. 

 

Guarda longa e dados de saúde definem o desenho do arquivo 

Com prazos dessa extensão, digitalizar os documentos resolve só uma parte do problema. Um inventário salvo como arquivo solto em pasta compartilhada não mostra qual versão estava vigente quando um empregado se afastou e não registra quem alterou o quê.  

O arquivo precisa de controle de versão, de data e de trilha de auditoria, os mesmos requisitos que as empresas já aplicam a contratos e a documentos fiscais, e a digitalização precisa vir acompanhada de classificação na entrada, com metadados que amarrem cada documento à unidade, à equipe e ao período a que se refere. O cuidado cresce porque parte dos registros que cercam os riscos psicossociais contém dados de saúde, que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais classifica como sensíveis e submete a regras mais rígidas de tratamento.  

Nem tudo o que cerca o programa a empresa precisa guardar por 20 anos, e reter dado pessoal além do necessário cria outro problema. É a tabela de temporalidade que define quanto tempo cada tipo de registro permanece no arquivo, quando a empresa descarta cada um e como documenta esse descarte, separando o histórico que a norma exige das cópias de trabalho que podem sair antes. Essa separação também reduz o volume sob guarda controlada, o que simplifica a operação do arquivo ao longo do período. 

A mudança trazida pela NR-1, portanto, não está apenas na inclusão dos riscos psicossociais entre as obrigações das empresas, mas na capacidade de demonstrar como esses riscos foram identificados, acompanhados e tratados ao longo do tempo. Isso exige transformar registros dispersos em um histórico confiável da gestão, no qual documentos, versões, responsáveis e evidências possam ser recuperados quando necessário.  

Nesse sentido, organizar a informação deixa de ser uma atividade administrativa de apoio e passa a fazer parte do próprio cumprimento da norma. Afinal, diante de uma fiscalização, de uma auditoria ou de um questionamento trabalhista, não basta afirmar que determinada medida foi adotada. A empresa precisa conseguir provar quando, como e por que tomou aquela decisão. 

 

Sobre a Access 

A Access é o maior fornecedor mundial privado de serviços de gestão de registros e informações (RIM), com operações nas Américas. Como um provedor de soluções de ponta a ponta, com custo-benefício, que atende todo o ciclo de vida do RIM, a Access ajuda organizações a garantir que seus registros críticos e confidenciais, tanto físicos quanto digitais, sejam retidos, gerenciados e processados com segurança, em conformidade com os mandatos regulatórios. As principais soluções incluem armazenamento externo; migração de acervo, indexação, digitalização e arquivamento de registros digitais; e serviços de destruição segura e BPO. A Access foi reconhecida 16 vezes na lista Inc. 5000; várias vezes reconhecida pela Newsweek, incluindo a lista das Melhores Empresas da América de 2024 para Diversidade e a designação de Melhor Empresa Digital de Saúde do Mundo; e reconhecida três vezes como Melhor em KLAS em Arquivamento de Dados. Para mais informações sobre a Access, visite: https://accesscorp.com 


Legenda: Romel Tolentino, Vice-Presidente Comercial para a América Latina da Access
Créditos: Arquivo/Reprodução