07/08/2026

IA versus o olhar humano na modernização e suporte da infraestrutura de TI

Por Adriano Silva, Head de Data Science & Digital Transformation da T-Systems do Brasil 

 

Há muita discussão se a IA gera resultados positivos para os negócios e se ajuda ou substitui as pessoas. Apesar de muitos projetos permanecerem na fase de testes e pilotos, 41%, segundo a pesquisa Turning AI Ambition into Enterprise-scale Impact, feita com mais de 450 líderes empresariais globais pela Everest Group, a inteligência artificial gera valor e é usada como uma camada de apoio para a tomada de decisão em serviços manutenção e atualização de sistemas de TI. 

No application managed services (AMS), que agrega os serviços de gestão, manutenção e suporte de aplicações ou sistemas de TI, e no application management & modernization (AMM), que compreende os processos para atualizar as aplicações, a IA ajuda o especialista e possibilita automatizar tarefas repetitivas, como análise e refatoração de código, detectar bugs, monitorar sistemas, detectar anomalias de desempenho e falhas antes que elas se agravem. A IA não apenas mostra a “saúde” da TI, mas prevê riscos para os negócios ou degradação do serviço.  

No AMS a IA é usada para qualificação de incidentes, triagem automática de chamados, análise de causa-raiz, identificação de reincidência e recomendação de resoluções de problemas. A tecnologia ajuda analistas a acelerar o diagnóstico, eliminar a reincidência, melhorar a padronização na resolução de problemas, o que reduz o tempo de inatividade e melhora a qualidade do serviço.  

No contexto do AMM a IA aumenta a segurança e acelera a modernização de aplicações, principalmente, quando é necessário trabalhar com sistemas legados, que usam linguagens de programação desenvolvidas há décadas, como COBOL, e por consequência sem nenhum membro do time que criou e implementou a aplicação em atividade na empresa.  

Em processos de modernização de aplicações legadas a IA gera documentação técnica e funcional completa, incluindo regras de negócio e casos de uso, sem a necessidade de um analista escrever uma linha de código. A IA consegue entender linguagens legadas e analisar o que deve ser refatorado e modernizado, descartado, além de propor soluções alternativas aos códigos em linguagem legada.  

Com o apoio da IA projetos que levavam mais de 12 meses para serem executados podem ser feitos em semanas e análises que precisavam ser feitas por amostragem, para não impactar o tempo de implantação e o custo do projeto, podem ser feitas em sua totalidade em questão de horas.  

 

A necessidade do olhar humano 

Apesar dos avanços proporcionados, os analistas continuam sendo essenciais para a tomada de decisões, no planejamento estratégico e na garantia que as soluções propostas estejam alinhadas aos objetivos de negócios. Os analistas deixam de atuar como executores de tarefas operacionais e passam a trabalhar como supervisores de processos feitos por IA, que facilita e aprimora a capacidade do profissional, mas não substitui sua expertise.  

Agentes de IA, como o Claude Code, da Anthropic, combinados a técnicas de engenharia de software ajudam o analista a planejar um projeto ou modernizar uma operação legada, por meio de processos guiados e produzem toda a documentação antes que a primeira linha de código seja produzida.  

Os agentes são capazes de elaborar perguntas que são adaptadas conforme a resposta do analista humano. Quando uma resposta não condiz com o que foi informado anteriormente, a IA faz a comparação das respostas e questiona o analista para que ele repense o projeto. O contexto passado pelo profissional impacta na qualidade do código desenvolvido pela IA.  

Dessa forma a tecnologia torna as pessoas 'mais humanas', liberando os analistas para atividades que dependem do “olhar humano” como ir ao cliente, conversar com os usuários, entender os processos de negócio e observar como esses processos acontecem. Esse contexto amplo, garante que as ações estejam alinhadas com as necessidades da demanda. Já se ocorrerem lacunas nas explicações, a IA pode desenvolver códigos que representem riscos nas aplicações corporativas.   

 

A importância da governança  

A implementação de IA requer revisão e adaptação de processos existentes, não apenas aplicação direta da tecnologia aos processos atuais. Ao mesmo tempo em que a equipe recebe uma ajuda ela precisa ser requalificada. No caso do AMS, por exemplo, os profissionais que antes lidavam com redefinições de senha rotineiras passam a se concentrar na análise da causa raiz, na melhoria de processos e no tratamento de exceções complexas.  

Essa transição exige investimentos em treinamento e o mais difícil, uma mudança cultural, já que papel do engenheiro de suporte muda de executor para um curador, que precisa supervisionar as recomendações e focar nas tarefas de alto valor. Enquanto isso a tecnologia auxilia na criação de scripts, na triagem de incidentes e na codificação de pequenas melhorias. 

Ao confiar a manutenção repetitiva da infraestrutura à automação, equipes podem atender a um número maior de endpoints. Essa dinâmica permite que os provedores de serviços mantenham o controle sobre incidentes críticos, enquanto a IA absorve a carga operacional do monitoramento de forma constante, reduzindo o custo do atendimento.  

Mas é preciso estar atento pois a automação excessiva pode se tornar uma armadilha dispendiosa, com alucinações, encaminhamento incorreto de chamados e o relacionamento pessoal continua sendo importante, pois o cliente não pode ter a percepção de ter sido relegado a uma máquina.  

Lembre-se que a IA deve complementar, não substituir os humanos, que continuam essenciais para casos complexos, interrupções críticas de infraestrutura e construção de relacionamento. Isso significa que o “olhar humano” é um investimento estratégico e a implementação da IA uma evolução de longo prazo. 

A estratégia recomendada é sempre começar com casos de uso menores e com menos risco, como classificação de chamados, sumarização de incidentes, consulta de base de conhecimento, para estabelecer confiança gradual com clientes e os usuários. O sucesso dos serviços ainda depende de um planejamento cuidadoso e implementação especializada. Não se trata apenas de apertar um botão. Se não for devidamente avaliada, a IA pode criar problemas e não soluções. 

 

Sobre a T-Systems 

A T-Systems, empresa do Grupo Deutsche Telekom, é uma das principais provedoras globais de serviços e soluções de Tecnologia da Informação. Com cerca de 25 mil colaboradores, atuação em 26 países, mais de 500 parceiros globais e receita anual de € 4,0 bilhões, apoia empresas em sua transformação digital por meio de um portfólio integrado de Cloud, SAP, Digital, Inteligência Artificial, Conectividade e Cibersegurança. 

Presente no Brasil desde 2001, a empresa conta com aproximadamente 1,8 mil colaboradores, nove escritórios, um Global Delivery Center e um Security Operations Center (SOC) em Blumenau, além de plataformas próprias em Data Centers Tier III/Twin Core. Atualmente, atende cerca de 735 clientes dos mais diversos segmentos. 

Reconhecida como um dos maiores provedores globais de serviços SAP, a T-Systems possui mais de 2.700 consultores, mais de 480 especialistas certificados em SAP S/4HANA e mais de 600 clientes SAP em todo o mundo. A empresa é SAP Global Platinum Reseller Partner, RISE with SAP Premium Supplier e detém a certificação SAP PCoE (Partner Center of Expertise), oferecendo serviços que abrangem desde consultoria, implementação e migração até suporte, operações e modernização de ambientes SAP. 

Seu portfólio também inclui serviços gerenciados de Cloud, infraestrutura, modernização de aplicações, Data & AI, automação, cibersegurança e soluções proprietárias para gestão logística, cadeia de suprimentos, manufatura e serviços financeiros, apoiando organizações em toda a sua jornada de transformação digital. 

Mais informações: Serviços digitais para empresas e instituições | T-Systems do Brasil 


Legenda: Adriano Silva, Head de Data Science & Digital Transformation da T-Systems do Brasil 
Créditos: Arquivo/Reprodução