20/10/2026

IA no RH: decisão sobre pessoas exige revisão humana e trilha auditável

Por Rodrigo Gomes, Head da unidade de negócios Process Solutions da Selbetti 

 

Em um dos maiores bancos do país, a lista de candidatos que chega ao recrutador já vem ordenada por um sistema de IA que ranqueia os currículos por aderência à vaga. Empresas já usam a IA para responder a dúvida de funcionários, e até mesmo para avaliar a coerência das avaliações de desempenho feitas pelos gestores. Mesmo que a decisão final continue com uma pessoa, o RH precisa conseguir dizer, quando alguém pergunta, por que o sistema recomendou aquilo e quem decidiu seguir a recomendação.  

E essa distância entre usar e explicar aparece nos números de adoção da própria tecnologia. O relatório 2026 Global Human Capital Trends, publicado pela Deloitte em março de 2026 a partir de pesquisa com mais de 9 mil líderes de negócios e de RH em 89 países, descreve a IA incorporada à contratação, ao desempenho e às decisões cotidianas: 60% dos executivos usam a tecnologia na tomada de decisão, enquanto 5% afirmam gerenciar bem esse uso, e 42% dos trabalhadores dizem que suas organizações não avaliam o impacto da IA sobre as pessoas. 

No Brasil, a pesquisa Confiança, Atitudes e Uso de Inteligência Artificial, conduzida pela Universidade de Melbourne com a KPMG e publicada em 2025, com mais de 48 mil respondentes em 47 países e dados coletados entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, mostra que 86% dos respondentes brasileiros afirmam que suas empresas já usam IA, enquanto 55% se dizem dispostos a confiar nas decisões tomadas pela tecnologia e 49% admitem ter cometido erros por confiar em resultados que ela entregou.  

Quando quase metade dos respondentes admite ter errado por seguir o sistema, a revisão humana passa a ser o mecanismo pelo qual a empresa protege a própria decisão, antes de qualquer exigência externa. 

Essa exigência externa, aliás, já apareceu no Marco Legal da Inteligência Artificial, o PL 2338/2023, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e que está à espera do parecer do relator, com uma ementa que fala em uso ético e responsável da IA com base na centralidade da pessoa humana. 

 

Revisão humana: em qual ponto a decisão passa do agente ao gestor 

Levada para a rotina do RH, essa centralidade se traduz em uma linha que separa o que um agente executa de ponta a ponta do que precisa parar em uma pessoa, e a linha é traçada pelo efeito da decisão sobre quem é afetado, o que explica por que a mesma ferramenta pode operar sozinha em um processo e apenas preparar o terreno em outro.  

Conferir se a documentação de admissão está completa, responder a uma dúvida sobre saldo de férias, apontar uma marcação de ponto sem justificativa, agendar entrevistas e resumir currículos são tarefas nas quais o erro é reversível e barato, e o agente pode concluí-las com registro. Cortar candidatos de uma lista, atribuir nota de desempenho, recomendar promoção, sugerir desligamento ou aplicar sanção são decisões nas quais o erro atinge a carreira de alguém, e nesse ponto o sistema entrega uma recomendação com motivos e a pessoa decide.  

Revisão humana só cumpre o papel quando o revisor conhece os motivos da recomendação, dispõe de tempo para examiná-los e tem autoridade para discordar, porque sem essas condições, o RH vai depender somente da correlação realizada por um algoritmo. 

Na prática, isso pede que cada fluxo de RH tenha um ponto de parada definido antes de o agente entrar em operação, com o nome do responsável pela decisão e o formato no qual a recomendação chega a ele, com os critérios que pesaram e a confiança do sistema naquele resultado.  

Quando a recomendação chega como um sim ou não sem contexto, o revisor tende a seguir o sistema, e o registro posterior mostrará que a decisão foi, na prática, automatizada. Quando chega com os motivos, o revisor pode discordar, e a discordância vira dado para corrigir o modelo, o que devolve à empresa o aprendizado que a automação sozinha não produz.  

 

Trilha auditável para sustentar a decisão humana 

Explicar a decisão e permitir que seja contestada, como o texto do Senado exige para os usos de alto risco, só tem efeito prático se a empresa consegue reconstruir a decisão depois de tomada, e é isso que as medidas de governança previstas para quem aplica esses sistemas descrevem ao pedir documentação ao longo do ciclo de vida, avaliação da acurácia e da robustez dos resultados, apuração de resultados discriminatórios, registro do grau de supervisão humana que contribuiu para cada resultado e informações que permitam interpretar o funcionamento do sistema.  

Traduzida para o dia a dia, a trilha de uma decisão assistida por IA precisa responder a perguntas diretas: quais dados o agente viu, qual versão de modelo, regra ou instrução estava em uso, qual foi a recomendação e com quais motivos, quem revisou, o que decidiu e por que, se houve contestação e qual foi o desfecho. Cada resposta corresponde a um registro com data, e o conjunto precisa ter prazo de guarda e controle de acesso definidos, porque envolve informação sobre pessoas.  

A esse núcleo se soma um teste periódico dos resultados por grupo, para verificar se a triagem ou a avaliação está excluindo mulheres, pessoas acima de determinada idade ou candidatos de certa origem em proporção diferente da entrada, apuração que o próprio texto legal pede a quem aplica o sistema. 

Montada assim, a trilha serve ao colaborador ou candidato, que recebe a explicação que tem direito de pedir, ao gestor, que ganha a demonstração de que houve revisão humana com conteúdo quando a decisão é questionada dentro da empresa ou em juízo, e à própria organização, para a qual a discordância registrada entre recomendação e decisão final é o indicador mais direto de que o modelo precisa de ajuste. Nada disso depende de esperar a regulamentação, já que o texto do Senado remete detalhes a normas posteriores, mas os elementos da trilha decorrem da própria lógica de decidir sobre pessoas com apoio de um sistema. 

O critério que fica para o decisor independe do texto final que sair da Câmara: quanto mais etapas o agente assume, mais valor tem o ponto no qual a decisão volta para uma pessoa com os motivos à mão e autoridade para discordar, e mais barato é construir esse ponto antes que a primeira contestação obrigue a reconstruí-lo. 

 

Sobre a Selbetti Tecnologia 

A Selbetti Tecnologia é a maior One-Stop-Tech do Brasil, proporcionando um ecossistema completo de soluções para acelerar a transformação digital das empresas. Com quase 50 anos de história e um time de mais de 2,2 mil profissionais, a empresa atua como um hub de tecnologia que conecta automação, infraestrutura, inteligência artificial e experiência digital e física para impulsionar a eficiência e o crescimento dos negócios. 

A Selbetti oferece soluções tecnológicas integradas que transformam operações e aumentam a competitividade das empresas, a partir de um ecossistema estruturado em dez unidades de negócios, cobrindo de forma estratégica as necessidades do mercado de tecnologia. Conheça: 

Selbetti Print Solutions: entrega gestão inteligente de impressão, com soluções de outsourcing e monitoramento de parques de impressão, garantindo mais eficiência e controle para as empresas; 

Selbetti IT Devices: atua no gerenciamento completo do ciclo de vida de dispositivos de TI, oferecendo locação de notebooks, desktops, smartphones e demais ativos. Além disso, disponibiliza portaria virtual, central de monitoramento e venda de equipamentos seminovos, unindo tecnologia, sustentabilidade e segurança para ambientes corporativos; 

Selbetti Label Solutions: unidade de negócios que se destaca em captura automática de dados e identificação (AIDC), combinando fabricação de etiquetas, fornecimento de hardware e suprimentos para rastreabilidade e logística, garantindo mais eficiência operacional; 

Selbetti Process Solutions: transforma a gestão documental e a automação de processos, com um portfólio modular que inclui RPA, assinatura digital e eletrônica, sistema de cobrança bancária e inteligência na digitalização de documentos, tornando os fluxos empresariais mais ágeis e inteligentes; 

Selbetti IT Solutions: fortalece a infraestrutura tecnológica das empresas, garantindo segurança, confiabilidade e escalabilidade com soluções de cibersegurança, field service, servidores, cloud, data science e inteligência artificial; 

Selbetti Customer Experience: revoluciona o atendimento ao cliente (CX) com uma plataforma omnichannel completa, que integra chat e voicebots, URA, discador automático, monitoria de qualidade e inteligência artificial, proporcionando uma comunicação fluida e automatizada; 

Selbetti Retail Experience: transforma a experiência no varejo, oferecendo soluções de cartazeamento, gestão de ofertas, rádio indoor e retail media networks, além de etiquetas impressas e eletrônicas que personalizam e otimizam a jornada do consumidor no ponto de venda; 

Selbetti Business Consulting: oferece consultoria estratégica de TI, auxiliando empresas na gestão de projetos e processos, segurança da informação e transformação digital. Além disso, atua na alocação de profissionais especializados, como gestores de projeto (GP) e desenvolvedores (DEV), garantindo excelência na execução de iniciativas tecnológicas; 

Selbetti Data & AI Solutions: apoia empresas na transformação de dados em ativos estratégicos de negócio, com foco em governança, qualidade da informação, analytics avançado e uso responsável da inteligência artificial. A área atua desde a organização e padronização dos dados até a aplicação de modelos analíticos e soluções de IA alinhadas às necessidades do negócio e às exigências regulatórias; 

Selbetti Cybersecurity Solutions: atua de forma integrada em segurança da informação, privacidade de dados e operações de cibersegurança, apoiando empresas na identificação de riscos, proteção de ambientes digitais, detecção de ameaças e resposta a incidentes, com foco em governança, continuidade operacional e resiliência digital. 

Fundada em 1977, a Selbetti carrega a inovação no DNA. A missão da empresa vai além da tecnologia, e conecta pessoas, dados e inovação para transformar desafios em oportunidades e acelerar o futuro das empresas. Com um olhar voltado para o amanhã, a Selbetti segue expandindo sua atuação, e consolidando sua posição como um dos principais vetores de inovação no Brasil. 

Conheça mais sobre a Selbetti Tecnologia: https://selbetti.com.br/ 


Legenda: Rodrigo Gomes, Head da unidade de negócios Process Solutions da Selbetti
Créditos: Arquivo/Reprodução