IA agêntica transforma a TI e redefine a experiência do cliente
Por Fabiano Amorim, Gestor da Unidade de Negócios de Customer Experience da Selbetti
Ao menos 40% das empresas brasileiras já colocaram inteligência artificial para rodar no negócio. Entre as que adotaram, 95% relatam crescimento de receita, com alta média de 31%, e 96% dizem ter visto melhorias significativas de produtividade, segundo um estudo realizado pela AWS no Brasil, e divulgado no segundo semestre do ano passado. Quando a IA chega a esse ponto, a discussão deixa de ser “vamos experimentar?” e vira “qual parte da operação vai mudar primeiro — e sob quais limites?”.
A distância entre “usar IA” e “operar com IA” ainda é grande. A Bain, por exemplo, mostrou que 25% das empresas brasileiras têm ao menos um caso de uso em operação, enquanto 67% tratam IA como uma das cinco prioridades estratégicas — um descompasso típico de tecnologia que vira prioridade antes de virar rotina. É nesse vão entre intenção e execução que a chamada IA agêntica começa a ganhar espaço: menos resposta pontual, mais software capaz de planejar, agir e concluir tarefas, dentro de limites que a TI precisa definir com precisão.
Arquitetura de TI preparada para a IA agêntica
A incorporação de agentes inteligentes em escala empresarial exige uma arquitetura de TI robusta, modular e amplamente integrada por APIs. Diferentemente de aplicações convencionais, esses agentes interagem simultaneamente com múltiplos sistemas, consomem dados de diversos serviços e executam ações distribuídas pela infraestrutura.
Um dos pilares dessa nova arquitetura é a exposição segura de funcionalidades via APIs. Agentes de IA precisam consumir APIs de CRM, ERP, bancos de dados, sistemas legados e serviços de terceiros para realizar suas tarefas. Por isso, desenvolver um ecossistema API-first tornou-se fundamental para departamentos de TI que desejam aproveitar a IA agêntica.
Quando bem projetados, esses pontos de integração permitem que o agente combine informações de múltiplas fontes e acione transações em diferentes módulos de forma coordenada. Imagine um agente de atendimento ao cliente que, em uma única jornada, consulta o histórico do usuário no CRM, verifica estoque no ERP, abre um chamado em uma ferramenta de suporte e atualiza o status de entrega em um sistema logístico – tudo via APIs padronizadas. Esse grau de integração só é possível se a arquitetura da empresa estiver unificada por interfaces consistentes e governança de dados.
Observabilidade e governança: mantendo o controle dos agentes
Junto ao entusiasmo com agentes de IA atuando livremente, vem à tona uma preocupação inevitável: como monitorar, entender e controlar as decisões tomadas por essas inteligências?
As mesmas habilidades que tornam os agentes valiosos – autonomia e adaptação – podem torná-los caixas-pretas desafiadoras para as equipes de TI. Por isso, observabilidade e governança tornam-se peças-chave na implementação bem-sucedida da IA agêntica. Ferramentas de monitoramento especializadas em IA – muitas inspiradas em práticas de DevOps – começam a surgir para registrar cada passo do fluxo de trabalho do agente, permitindo auditorias e diagnósticos precisos de eventuais erros ou comportamentos inesperados. Isso é essencial não apenas para depuração técnica, mas também para assegurar conformidade regulatória e ética, especialmente quando agentes manipulam dados sensíveis ou fazem recomendações em áreas regulamentadas.
Em paralelo, surge o desafio da governança de identidades e acessos para agentes autônomos. Na prática, um agente de IA que consome APIs e realiza ações nos sistemas corporativos precisa de credenciais e permissões – ou seja, ele atua como um “usuário digital” dentro do ambiente da empresa. Muitas organizações estão adotando modelos de Identity and Access Management (IAM) específicos para esses casos, criando contas de serviço, chaves de API e tokens dedicados para autenticar agentes nos sistemas.
Essa abordagem garante que cada agente tenha apenas os direitos estritamente necessários (princípio do menor privilégio) para desempenhar sua função, evitando que um erro ou desvio de comportamento cause danos maiores. Especialistas alertam que o uso descontrolado de agentes de IA, sem uma governança clara de responsabilidades e acessos, pode abrir brechas de segurança significativas.
Por isso, além de definir quem pode fazer o quê, as empresas devem manter um inventário atualizado de agentes em operação, seus propósitos e responsáveis humanos, bem como revisar periodicamente as permissões concedidas a cada um. Integrar agentes inteligentes às políticas de segurança já existentes – como se faz ao contratar um novo colaborador ou implantar um novo sistema – torna-se indispensável para escalar a automação com segurança e transparência.
A revolução da IA agêntica no Customer Experience (CX)
É no campo da Experiência do Cliente (CX) que a IA agêntica ganha mais possibilidades. Empresas já vinham empregando chatbots e URA (unidade de resposta audível) para atender clientes, mas com capacidade limitada a respostas pré-programadas.
Agora, com agentes inteligentes, abre-se a possibilidade de conduzir jornadas inteiras do cliente de forma autônoma e personalizada. Bots conversacionais equipados com IA agêntica podem entender a intenção do usuário, buscar informações em sistemas internos, executar transações e acompanhar o cliente até a resolução completa do seu problema, tudo em uma mesma interação fluida. Isso significa, por exemplo, que um assistente virtual de uma operadora pode iniciar esclarecendo uma dúvida, em seguida propor uma nova oferta adequada ao perfil do cliente, efetivar a mudança de plano no sistema e agendar uma visita técnica, sem transferências ou pausas desnecessárias.
A consistência das interações tende a aumentar drasticamente: cada cliente é guiado pelos mesmos passos otimizados, com acesso às informações corretas, reduzindo erros humanos e variações de atendimento. Não à toa, pesquisas de mercado indicam que 70% dos consumidores já veem a IA como parte integrante do atendimento moderno, e igualmente 70% dos líderes de CX acreditam que bots dotados de IA estão se tornando “arquitetos habilidosos” de jornadas altamente personalizadas.
Os números reforçam essa mudança de paradigma. A consultoria Gartner projeta que até 2029, 80% dos problemas comuns de atendimento serão resolvidos autonomamente por agentes de IA, o que pode reduzir os custos operacionais do suporte em até 30%.
Essa automação massiva do front office redefine o papel das equipes de atendimento: em vez de lidarem com consultas triviais e repetitivas, os humanos poderão se concentrar em casos mais complexos ou que demandem empatia e julgamento sofisticado.
Entretanto, a IA agêntica não se limita a atuar na linha de frente do atendimento, interagindo com o cliente. Ela também está revolucionando os bastidores do CX, por meio da monitoria inteligente de qualidade e do assistente do agente humano. Ferramentas municiadas com IA agora conseguem acompanhar em tempo real as chamadas e chats, avaliando o tom do cliente, a aderência do atendente ao script e até recomendando próximas melhores ações durante o contato. Ao final de cada interação, esses agentes de apoio geram resumos automáticos, registros de protocolo e análises de sentimento, garantindo que nenhum detalhe se perca e que a experiência seja consistente independentemente do canal ou atendente envolvido.
Em última análise, a IA agêntica não é uma tendência passageira, mas sim a próxima evolução na forma como encaramos automação e inteligência nos negócios. Empresas no Brasil já demonstram compreender seu potencial – 95% das grandes corporações do país pretendem inserir IA em alguma função e 75% planejam aumentar investimentos em TI, com foco em melhorar a experiência do cliente, segurança de dados e decisões orientadas por informação. Esse alinhamento entre tecnologia e estratégia é o que determinará os vencedores na era dos agentes inteligentes.
Sobre a Selbetti Tecnologia
A Selbetti Tecnologia é a maior One-Stop-Tech do Brasil, proporcionando um ecossistema completo de soluções para acelerar a transformação digital das empresas. Com quase 50 anos de história e um time de mais de 2,2 mil profissionais, a empresa atua como um hub de tecnologia que conecta automação, infraestrutura, inteligência artificial e experiência digital e física para impulsionar a eficiência e o crescimento dos negócios.
A Selbetti oferece soluções tecnológicas integradas que transformam operações e aumentam a competitividade das empresas, a partir de um ecossistema estruturado em oito unidades de negócios, cobrindo de forma estratégica as necessidades do mercado de tecnologia. Conheça:
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Selbetti IT Devices: atua no gerenciamento completo do ciclo de vida de dispositivos de TI, oferecendo locação de notebooks, desktops, smartphones e demais ativos. Além disso, disponibiliza portaria virtual, central de monitoramento e venda de equipamentos seminovos, unindo tecnologia, sustentabilidade e segurança para ambientes corporativos;
Selbetti Label Solutions: unidade de negócios que se destaca em captura automática de dados e identificação (AIDC), combinando fabricação de etiquetas, fornecimento de hardware e suprimentos para rastreabilidade e logística, garantindo mais eficiência operacional;
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Selbetti Customer Experience: revoluciona o atendimento ao cliente (CX) com uma plataforma omnichannel completa, que integra chat e voicebots, URA, discador automático, monitoria de qualidade e inteligência artificial, proporcionando uma comunicação fluida e automatizada;
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Fundada em 1977, a Selbetti carrega a inovação no DNA. A missão da empresa vai além da tecnologia, e conecta pessoas, dados e inovação para transformar desafios em oportunidades e acelerar o futuro das empresas. Com um olhar voltado para amanhã, a Selbetti segue expandindo sua atuação, e consolidando sua posição como um dos principais vetores de inovação no Brasil.