Gestão remota de ativos tecnológicos: o caminho para eficiência operacional no agro brasileiro
Por Luciano Costa, cofundador da Setrion e da Milldesk Help Desk Software
No ano passado, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 169,2 bilhões, representando 48,5% de tudo que o país vendeu ao exterior. Esse desempenho foi impulsionado por uma safra recorde de 352,2 milhões de toneladas de grãos. Por trás desses números, porém, está um setor sob pressão – custos em alta, exigências ambientais crescentes e a necessidade de ganhar eficiência operacional.
A partir deste contexto, a gestão remota de ativos tecnológicos pode ser uma ferramenta estratégica – potencial diferencial entre perder margem ou ganhar competitividade. Tecnologias como Internet das Coisas (IoT), automação e análise de dados deixaram de ser exceção para se tornar prática comum nas propriedades rurais. Uma pesquisa realizada pela Embrapa em 2024 apontou que 8 em cada 10 agricultores já utilizavam soluções digitais em seu dia a dia, e quase metade deles reconhecia ganhos em desempenho e produtividade com essas inovações. No âmbito corporativo, 45% das empresas do agronegócio no Brasil declaram usar IoT, um índice muito acima da média de 9% observada na economia em geral, de acordo com a PWC.
Mas o que significa, na prática, gestão remota de ativos tecnológicos no agro? Em essência, é a capacidade de supervisionar e operar os “bens” tecnológicos da fazenda à distância, por meio de conectividade e plataformas integradas. Isso inclui conectar máquinas, insumos, armazéns e dados em tempo real, permitindo decisões mais rápidas, seguras e sustentáveis na produção. Sensores distribuídos pelo campo capturam informações de clima, umidade do solo, temperatura de silos e desempenho de equipamentos, alimentando sistemas centralizados que exibem o panorama completo da fazenda.
Com os dados à mão, um gestor pode, por exemplo, ajustar de imediato a irrigação de uma parcela ou a ventilação em um armazém de grãos, tudo remotamente. Tratores e colheitadeiras equipados com telemetria enviam em tempo real sua localização e condições de operação. Até a infraestrutura de TI – câmeras, redes sem fio rurais, drones de monitoramento – entra nesse escopo, compondo um ecossistema em que cada ativo “fala” à distância.
Telemetria remota: parte da revolução
No front dos maquinários, a telemetria remota revolucionou a manutenção e a segurança operacional. Tratores, colheitadeiras e outros equipamentos modernos estão equipados com sensores que medem temperatura do motor, vibração, nível de combustível e desgaste de peças durante o trabalho. Esses dados permitem identificar potenciais falhas antes que aconteçam, viabilizando a manutenção preditiva e reduzindo o risco de acidentes ou paradas inesperadas.
Do ponto de vista financeiro e gerencial, os ganhos são igualmente expressivos. A integração de dados proporciona uma visão preditiva do negócio – o agricultor consegue antecipar necessidades de manutenção, planejar a logística de escoamento da safra com base em níveis de estoque monitorados e até negociar melhor insumos e financiamentos com informações confiáveis em mãos. Estudos indicam que a digitalização da gestão pode gerar aumentos de 10% a 20% na eficiência operacional em apenas dois anos de uso, graças à redução de perdas, uso otimizado de recursos e tomadas de decisão mais ágeis.
Apesar dos claros benefícios, a adoção ampla da gestão remota de ativos ainda enfrenta obstáculos no Brasil. O primeiro é a conectividade. Grandes áreas rurais permanecem sem cobertura de internet de qualidade. Houve progressos recentes – a presença de sinal 4G ou 5G nas regiões agrícolas saltou de 18,7% para 33,9% nos últimos dois anos– mas isso ainda significa que dois terços do campo estão desconectados.
Em muitas fazendas distantes dos centros urbanos, a falta de rede inviabiliza o uso de IoT, agricultura de precisão e plataformas de gestão remota, limitando o potencial produtivo, sobretudo entre pequenos e médios produtores. A exclusão digital é hoje um gargalo: sem internet, o produtor não consegue receber os dados das máquinas nem acionar sistemas remotos.
Outro desafio é a capacitação técnica. Implementar e manter sensores, redes sem fio e softwares especializados exige conhecimento que nem sempre está disponível no meio rural. Falta mão de obra treinada para operar esses sistemas e interpretar os dados gerados. Pequenos produtores, em especial, enfrentam dificuldade em arcar com investimentos iniciais em infraestrutura e treinamento – muitas vezes precisam de apoio para ingressar na era digital.
Superar esses desafios é fundamental para liberar todo o potencial da gestão remota de ativos tecnológicos. O agronegócio brasileiro – já consagrado como um dos celeiros do mundo – encontra na transformação digital não apenas uma ferramenta a mais, mas um alicerce estratégico para manter sua liderança e crescer de forma eficiente e sustentável nos próximos anos.
Sobre a Setrion
Fundada em 2005, a Setrion Software é uma empresa catarinense especializada no desenvolvimento de soluções SaaS para atendimento ao cliente, help desk e gestão de workflows empresariais. Seu principal produto, Milldesk, é uma plataforma 100% nacional reconhecida pelo mercado por sua eficiência, inovação e aderência às melhores práticas ITIL.
Atendendo mais de 600 clientes no Brasil e América Latina, em segmentos variados como manufatura, farmacêutico, saúde, governo, tecnologia, serviços financeiros e educação, o Milldesk auxilia mais de 80 mil usuários mensais a otimizarem processos internos, gerenciando cerca de 1,6 milhão de notificações e mais de 125 mil solicitações a cada mês. Reconhecida nacionalmente pela excelência técnica e foco no cliente, a Setrion Software segue comprometida com o crescimento e inovação no mercado de tecnologia brasileiro.