Crescimento da transmissão elétrica exige novo patamar técnico na elevação de cargas
Por Fernando Fuertes, Engenheiro e Desenvolvedor de Novos Negócios da Acro Cabos de Aço.
O setor de transmissão de energia elétrica fechou 2025 em forte expansão, impulsionado por investimentos recordes e elevada competição. O Leilão de Transmissão nº 4/2025, realizado em outubro, atraiu R$ 5,53 bilhões em novos investimentos, conforme divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O certame atraiu aproximadamente 20 grupos, entre nacionais e estrangeiros, e teve todos os lotes ofertados arrematados, sinalizando o apetite dos investidores.
Este certame será responsável por ampliar a malha elétrica nacional com a adição de mais de 1.000 km em novas linhas e reforços em subestações. Além disso, segundo o governo federal, entre 2023 e 2025 foram concluídos 4.200 km de obras, o que marca uma aceleração significativa no setor. No mesmo período, o número de leilões realizados cresceu 65% em relação ao ciclo 2019–2022.
Por trás dos números positivos, contudo, persistem gargalos operacionais importantes. O licenciamento ambiental de novas linhas continua sendo um desafio. Ao mesmo tempo, analistas alertam para restrições de mão-de-obra e suprimentos no curto prazo, já que dezenas de empreendimentos de transmissão estão entrando simultaneamente em fase de construção e isso pode gerar escassez de equipes especializadas e de equipamentos.
De fato, há projetos já leiloados com cronogramas atrasados, um sinal de alerta de que o ritmo acelerado pode estar pressionando a capacidade de execução do setor. A isso podemos somar um evento inédito em 2025: em determinados momentos, a oferta de energia renovável excedeu os limites de escoamento da rede a tal ponto que o ONS (Operador Nacional do Sistema) quase esgotou as manobras operativas para evitar instabilidades.
O órgão chegou a preparar um plano emergencial de corte de geração em usinas menores para prevenir apagões por excesso de oferta. Uma situação que evidenciou a urgência de ampliar e modernizar a infraestrutura de transmissão para comportar a nova realidade energética.
Todos esses movimentos têm impactos diretos no segmento de elevação e movimentação de cargas, crucial para viabilizar a expansão elétrica. A construção de novas linhas de transmissão e subestações demanda operações complexas de içamento para erguer torres metálicas de mais de 100 metros de altura, lançar cabos condutores em vãos extensos, transportar e posicionar transformadores que pesam centenas de toneladas.
Trata-se de atividades de alto risco e elevada exigência técnica, que dependem de equipamentos de içamento robustos e de profissionais capacitados. Uma malha de transmissão em crescimento significa mais serviços de montagem de estruturas em campo, mais movimentação de grandes cargas em terrenos difíceis, e mais necessidade de rigor em segurança para evitar acidentes.
Assim, o setor de içamento de cargas torna-se um pilar invisível dessa expansão, garantindo que os novos projetos saiam do papel dentro dos prazos e com a confiabilidade esperada. Entender o cenário atual e as perspectivas de 2026, portanto, é fundamental para antecipar desafios e oportunidades nessa área.
Perspectivas para 2026: novos leilões e expansão acelerada
Para 2026, as projeções mostram um ritmo ainda mais intenso de crescimento na transmissão elétrica brasileira. O MME já confirmou a realização de dois grandes leilões de linhas de transmissão em 2026. O primeiro certame está agendado para março de 2026 e deve ofertar cerca de 888 km de novas linhas distribuídas em 12 estados, com investimentos previstos da ordem de R$ 5,7 bilhões. Outro leilão está programado para o segundo semestre e deverá ser ainda mais robusto, contemplando mais de 3.500 km de linhas e investimentos superiores a R$ 20 bilhões.
O que motiva esse forte incremento é, em grande medida, a integração das fontes renováveis na matriz elétrica. O Brasil vive um boom de geração eólica (especialmente no Nordeste) e solar fotovoltaica, e essa energia limpa precisa de corredores de transmissão para chegar aos principais centros de consumo no Sudeste e Sul. Além disso, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estuda projetos de ultra e alta tensão, como linhas de 800 kV em corrente contínua, que poderão ser licitados até 2027.
Essas obras de grande porte, embora caras e complexas, têm capacidade de transportar gigantescos blocos de energia a longas distâncias com perdas reduzidas, reforçando a segurança energética nacional. É provável que alguns projetos estruturantes desse tipo já apareçam nos leilões de 2026, conectando polos de renováveis no Norte/Nordeste a outras regiões.
Paralelamente, novas demandas de consumo começam a despontar. A expansão da geração distribuída, como painéis solares em residências e comércios, a eletrificação do transporte coletivo e individual, e o crescimento de data centers exigem não apenas a ampliação da rede de distribuição local, mas também reforços na rede de transmissão regional. Assim, 2026 tende a consolidar um novo patamar de expansão, embalado pelo avanço das renováveis e pelas exigências de confiabilidade do sistema elétrico.
Demanda em alta por equipamentos de içamento e segurança operacional
O boom de investimentos em transmissão traz, por consequência, um aquecimento do mercado para os fornecedores de equipamentos de içamento e movimentação de cargas. A necessidade de erguer centenas de novas torres, esticar cabos de alta tensão e instalar subestações robustas se traduz em encomendas crescentes de cabos de aço especiais, cintas de elevação, correntes, grampos, manilhas e lingas em todo o país. Projetos de grande porte exigem cabos de aço de alta resistência para servirem de estais provisórios na montagem de torres, suportando estruturas que podem ultrapassar 30 toneladas durante a construção.
Da mesma forma, serão demandados guindastes de diversos portes, guinchos e pórticos para içar colunas metálicas e equipamentos pesados em campo, muitas vezes em terrenos acidentados. Todo esse aumento de demanda requer não só volume, mas qualidade superior. Componentes como cabos e cintas precisarão suportar esforços extremos repetidamente, mantendo margens de segurança mesmo sob desgaste intenso.
Nesse cenário, qualquer falha em um dispositivo de içamento pode acarretar consequências graves. O rompimento de um cabo ou linga durante a elevação de um transformador, por exemplo, além de colocar vidas em risco, pode atrasar as obras por semanas, especialmente em locais remotos. Por isso, os padrões de segurança e qualidade devem ser inegociáveis.
Diante desse novo ciclo de crescimento do sistema elétrico nacional, fica clara a importância estratégica da preparação técnica, logística e inovadora no setor de içamento de cargas. As empresas que fornecem soluções de elevação e movimentação precisarão estar prontas para atuar em projetos cada vez maiores e mais complexos, em qualquer parte do território, sem comprometer a segurança nem a eficiência. Mais do que uma oportunidade de crescimento, a expansão da transmissão impõe a responsabilidade de evoluir junto com o mercado, adotando as melhores práticas, tecnologias de ponta e capacitação constante.
O sucesso do novo ciclo de desenvolvimento elétrico do Brasil passará pela capacidade de toda a cadeia de suprimentos, incluindo o setor de içamento, em inovar e entregar com excelência. Preparar-se para isso não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma condição indispensável para viabilizar, com qualidade e segurança, a infraestrutura que levará energia a todos os cantos do país.
Sobre a Acro Cabos
Especialista em soluções para elevação, amarração e movimentação de cargas, a Acro Cabos de Aço atua no mercado há mais de 25 anos. A empresa é reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços, que atendem às mais rígidas exigências do mercado com certificações que atestam seu compromisso com a segurança e a qualidade. Saiba mais: https://www.acrocabo.com.br/