Conectividade e agro digital são aliados no enfrentamento ao El Niño
Por Jorge Seiti, Head de Desenvolvimento de Negócios da Deutsche Telekom Global Business Solutions
Segundo o Climate Prediction Center (CPC), da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), na atualização de 8 de outubro de 2026, havia probabilidade superior a 83% de o El Niño permanecer forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027 [1].
Para o Brasil, o Boletim nº 4 do Painel El Niño prevê, entre outubro e dezembro, chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média em áreas do centro-norte. Essa combinação pode agravar o déficit hídrico e dificultar a implantação da safra 2026/27, inclusive com risco de falhas de germinação e replantio em lavouras de soja semeadas precocemente. No Sul, a chuva pode favorecer o milho de primeira safra, mas, se excessiva, pode aumentar doenças fúngicas no trigo e dificultar a semeadura da soja. O boletim ressalta que são tendências sazonais, sujeitas à evolução das condições em cada região [2].
O monitoramento do El Niño depende da coleta e transmissão contínua de dados atmosféricos e oceanográficos provenientes de satélites, sensores e boias oceânicas. Esse princípio também se aplica ao agronegócio, onde a conectividade possibilita transportar dados de campo para plataformas de análise que auxiliam na tomada de decisão.
Também na prevenção, mas com foco na segurança, o mesmo tipo de conexão possibilita a comunicação de inclinômetros, que enviam sinais de alerta de riscos de deslizamentos, em áreas afastadas das redes celulares.
Conectividade na prevenção e otimização da produção
Embora não seja possível impedir o El Niño ou os eventos climáticos extremos, estações meteorológicas instaladas na propriedade podem coletar dados locais, como chuva, temperatura, umidade e vento. Com conectividade, essas informações podem ser enviadas a plataformas que as combinam com modelos e previsões meteorológicas para apoiar o monitoramento e as decisões de manejo. Assim, o produtor pode acompanhar melhor as condições da área e receber alertas, sem que isso elimine as incertezas das previsões.
A estratégia a ser adotada depende da cultura, dos animais e da localização, mas o princípio é o mesmo: combinar orientações adequadas à produção e realidade local. Em algumas regiões pode ser necessário sombrear plantações, instalar sistemas de nebulização e ampliar a capacidade de armazenamento de água e alimentar animais quando a temperatura estiver mais amena. Nas regiões com excesso de chuvas pode ser necessário melhorar a drenagem, proteger o solo contra a erosão e intensificar o monitoramento fitossanitário, já que acúmulo de umidade no solo e no ar enfraquece as plantas e cria o ambiente perfeito para o rápido crescimento de fungos, bactérias e pragas.
O desenvolvimento da tecnologia para o agronegócio possibilita ao produtor rural otimizar a produção e mitigar os riscos gerados pelo clima. Segundo o último Indicador de Conectividade Rural (ICR), da ConectarAGRO, com dados de 2025, a cobertura 4G ou 5G alcança 33,9% da área disponível para uso agrícola no Brasil, o que significa que aproximadamente dois terços dessas áreas ainda não contam com esse tipo de cobertura. Nesse contexto, os satélites LEO surgem como uma alternativa para ampliar a conectividade em áreas não atendidas adequadamente pelas redes terrestres.
Com conexão na propriedade, o produtor pode consultar o Plantio Certo, da Embrapa, e verificar os períodos de plantio indicados para sua cultura, município, tipo de solo e ciclo. Também consegue acompanhar previsões e alertas e levar em conta as condições observadas na própria área. Essas informações ajudam a ajustar o manejo ao longo da safra.
Além disso, a conexão habilita a implantação das tecnologias da agricultura digital e da agricultura de precisão, inclusive em propriedades de diferentes portes e em localidades com cobertura terrestre limitada. Dessa forma, o produtor pode usar tecnologias como inteligência artificial, Big Data, soluções na nuvem, equipamentos IoT, maquinários autônomos e drones para captação e geoprocessamento de imagens. Essas ferramentas podem contribuir para aumentar a produtividade por hectare e otimizar o uso de fertilizantes e agroquímicos.
Já na rotina da fazenda, a conectividade também pode apoiar o acompanhamento do rebanho e das condições locais. Com dispositivos GPS, o produtor pode acompanhar o deslocamento dos animais e localizá-los com mais facilidade em situações como alagamentos.
Profissionalização gera segurança de conectividade
Os satélites de baixa órbita têm contribuído para ampliar a conectividade em áreas cultivadas sem cobertura de rede fixa ou móvel. Mas o que se vê no mercado é que em um primeiro momento foram adotados planos destinados ao uso doméstico, que podem funcionar bem para o uso pessoal ou aplicações não críticas e até possibilitaram a realização de provas de conceito das tecnologias.
Embora planos voltados ao mercado residencial sejam adotados em alguns casos na conectividade rural, operações críticas do agronegócio tendem a demandar recursos adicionais de gestão, governança, suporte e previsibilidade.
Além disso, a aquisição descentralizada de antenas e planos por pessoas físicas pode gerar pagamentos separados, baixa visibilidade sobre o consumo de dados e dificuldades de integração com processos administrativos. À medida que a conectividade passa a sustentar tecnologias como telemetria, automação, gestão de máquinas, videomonitoramento, sensores e estações meteorológicas, a operação por meio de planos destinados ao uso doméstico pode trazer limitações adicionais de gestão, suporte e continuidade para aplicações críticas.
A conexão corporativa pode oferecer suporte técnico especializado, gestão centralizada, níveis de serviço definidos contratualmente e maior previsibilidade de desempenho, de acordo com o plano contratado e a disponibilidade da rede.
Os benefícios de produtividade, mitigação de riscos climáticos e ambientais evidenciam que a gestão da conectividade precisa ser feita com o mesmo cuidado aplicado a ativos como água, gestão do solo, nutrição animal, gestão dos defensivos e fertilizantes, combustível e manutenção de máquinas e equipamentos.
Hoje a conexão por meio de satélites sustenta processos cada vez mais críticos e demanda gestão contratual, controle de custos, suporte técnico e integração com outros sistemas. Quando máquinas, equipamentos e sensores dependem de conexão para gerar dados e valor, eventuais falhas podem afetar a produtividade, o planejamento de colheita e plantio, a segurança e gestão de ativos. Por isso, uma gestão estruturada da conectividade torna-se importante para buscar ganhos operacionais e reduzir riscos.
Referências
[1] NOAA. “Climate Prediction Center — ENSO Diagnostic Discussion”. 8 out. 2026.
[2] INPE. “Painel El Niño 2026–2027, Boletim nº 4”. 1 out. 2026.
Sobre a Deutsche Telekom Global Business
A Deutsche Telekom Global Business foi criada na Alemanha em 2020 para ser a unidade de negócios de serviços de comunicação e conectividade do grupo Deutsche Telekom para clientes B2B. A Deutsche Telekom Global Business foi lançada no Brasil em 2023, mas o grupo já atua com serviços de telecomunicações desde 2005.
A empresa atua em mais de 25 mercados ao redor do mundo e tem cerca de 3 mil funcionários. O portfólio de serviços está focado em redes corporativas flexíveis e seguras como base para a digitalização e a consultoria estratégica está no centro do modelo de negócios. O portfólio de soluções inclui links de internet, LAN-to-LAN, SD-WAN, MPLS (Multi-Protocol Label Switching), FWA (Fixed Wireless Access), conexão por satélite, Wi-Fi e soluções de conectividade IoT/M2M.
A Deutsche Telekom é a operadora líder na Europa, com mais de 273 milhões de clientes móveis, 24 milhões de linhas fixas, 22 milhões de linhas de banda larga e 200 mil funcionários em todo o mundo.
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