Como gerenciar riscos na movimentação de cargas no setor de mineração
Por Fernando Fuertes, Engenheiro e Desenvolvedor de Novos Negócios na Acro Cabos de Aço
A movimentação de cargas está entre as atividades de maior exposição a acidentes na mineração, um setor que, por natureza, combina operações de grande porte, ambientes hostis e variabilidade operacional. No Brasil, dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que atividades relacionadas ao manuseio de materiais e operação de máquinas pesadas concentram uma parcela relevante dos acidentes graves e fatais.
O problema não está apenas na operação em si, mas na forma como o risco é percebido. Em muitas empresas, a gestão de cargas ainda é tratada como uma rotina operacional, quando, na prática, representa um sistema complexo que envolve pessoas, equipamentos, condições ambientais e processos. Essa visão fragmentada tende a reduzir a capacidade de antecipação de falhas e amplia a exposição a eventos críticos, especialmente em cenários de alta produção e pressão por eficiência.
Como diminuir os acidentes
A primeira mudança necessária é conceitual. Gerenciar riscos na movimentação de cargas exige tratar a atividade como um sistema sociotécnico. Isso significa reconhecer que o desempenho seguro não depende apenas da conformidade com procedimentos, mas da interação entre fatores humanos, tecnológicos e organizacionais. A norma brasileira NR 22, que trata da segurança e saúde ocupacional na mineração, já aponta para a necessidade de análise de riscos integrada às operações. No entanto, a aplicação prática ainda varia muito entre empresas e operações.
Do ponto de vista técnico, o mapeamento de riscos precisa começar pela caracterização detalhada das cargas e dos fluxos logísticos internos. Não se trata apenas de identificar peso e dimensões, mas de compreender o comportamento da carga durante o transporte, sua estabilidade, o tipo de acondicionamento e as interfaces com equipamentos como caminhões fora de estrada, correias transportadoras, guindastes e empilhadeiras. Estudos da International Labour Organization indicam que a inadequação no acondicionamento e na fixação de cargas está presente em uma parcela significativa dos acidentes relacionados a transporte interno.
Além disso, a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais relevante nesse processo. Sistemas de monitoramento em tempo real, sensores de carga, telemetria de equipamentos e soluções baseadas em análise de dados permitem ampliar a visibilidade sobre as operações.
Empresas que adotam essas ferramentas conseguem identificar desvios operacionais antes que se transformem em incidentes. Relatórios do International Council on Mining and Metals mostram que operações que incorporaram telemetria e monitoramento avançado reduziram significativamente eventos relacionados a sobrecarga e falhas operacionais.
No entanto, tecnologia sem os equipamentos adequados tende a gerar uma falsa sensação de controle. A eficiência dessas soluções depende diretamente da integridade dos elementos físicos que sustentam a operação, e os cabos de aço ocupam uma posição central nesse contexto. São esses equipamentos que, na prática, suportam o peso, absorvem esforços dinâmicos e garantem a estabilidade da carga em operações críticas como içamento, arraste e movimentação vertical. Quando negligenciados, tornam-se um dos principais pontos de falha silenciosa dentro da cadeia operacional.
Dados técnicos da International Organization for Standardization, especialmente nas normas da família ISO 4309, indicam que a degradação de cabos de aço é responsável por uma parcela relevante de falhas em equipamentos de içamento, muitas vezes associada à falta de inspeção adequada ou à utilização fora dos parâmetros especificados. Esse tipo de falha raramente ocorre de forma súbita: na maioria dos casos, progressiva e previsível, marcada por sinais como desgaste abrasivo, corrosão, fadiga por flexão e rompimento de arames individuais.
Condições adversas na mineração
Na mineração, esse cenário se agrava. O ambiente impõe condições severas, com presença constante de poeira abrasiva, umidade, variações térmicas e cargas cíclicas intensas. Cabos utilizados em guindastes, pontes rolantes, draglines e sistemas de içamento subterrâneo estão sujeitos a regimes de esforço muito mais agressivos do que em aplicações industriais convencionais. Ignorar essa realidade leva a uma subestimação do risco e compromete a confiabilidade da operação.
A escolha do cabo, portanto, não pode ser tratada como uma decisão operacional simples. É uma decisão de engenharia. O diâmetro, a construção, o tipo de alma, a classe de resistência e o acabamento superficial precisam ser definidos a partir da aplicação específica, considerando fatores como carga máxima de trabalho, fator de segurança, raio de curvatura e número de ciclos esperados. Um cabo inadequado pode até suportar a carga em condições ideais, mas falhar prematuramente quando submetido à dinâmica real da operação.
Além da especificação correta, a inspeção periódica é um dos pilares mais críticos da gestão de risco. A própria ISO 4309 estabelece critérios claros para descarte de cabos, incluindo limites para número de arames rompidos, redução de diâmetro e deformações estruturais. No Brasil, essas práticas são complementadas por diretrizes da NR 11 e da NR 22, que reforçam a necessidade de inspeções regulares e registros formais. Ainda assim, na prática, muitas operações mantêm cabos em uso além do limite seguro, seja por falhas de controle, seja por pressão operacional.
Outro ponto sensível está na lubrificação e na proteção contra corrosão. Cabos de aço operam com múltiplos fios em atrito constante, e a ausência de lubrificação adequada acelera o desgaste interno, muitas vezes invisível em inspeções superficiais. Em ambientes de mineração, onde agentes corrosivos estão presentes, a proteção do cabo deixa de ser uma recomendação e passa a ser uma exigência operacional. Estudos da International Labour Organization apontam que a combinação de corrosão e fadiga é uma das principais causas de falhas estruturais em sistemas de içamento.
Em suma, a mineração tem avançado em diversos aspectos de segurança, mas a movimentação de cargas continua sendo um ponto sensível. Transformar essa realidade depende menos de soluções isoladas e mais de uma abordagem integrada, que combine tecnologia, processos, pessoas e cultura organizacional. Quando essa integração ocorre, o resultado não é apenas a redução de acidentes, mas a construção de operações mais resilientes e sustentáveis.
Sobre a Acro Cabos
Especialista em soluções para elevação, amarração e movimentação de cargas, a Acro Cabos de Aço atua no mercado há mais de 25 anos. A empresa é reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços, que atendem às mais rígidas exigências do mercado com certificações que atestam seu compromisso com a segurança e a qualidade. Saiba mais: https://www.acrocabo.com.br/