08/02/2026

Como estratégias de içamento de cargas contribuem para a sustentabilidade na construção civil

Por Fernando Fuertes, Engenheiro e Desenvolvedor de Novos Negócios da Acro Cabos de Aço

A sustentabilidade na construção civil deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito em projetos, investimentos e políticas públicas. Durante muito tempo, esse tema esteve concentrado quase que exclusivamente no desempenho do edifício em operação, com destaque principalmente em eficiência energética e uso racional da água. Nos últimos anos, no entanto, esse olhar passou a se ampliar, incorporando os impactos gerados na fase construtiva, quando decisões técnicas e operacionais se refletem em aspectos como pegada de carbono e descarte de materiais.

Esse movimento é visível tanto no mercado quanto na esfera institucional. O Brasil figura entre os dez países com maior área certificada pelo sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), com mais de dois milhões de metros quadrados certificados, segundo o U.S. Green Building Council. Em paralelo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou recentemente o projeto EDinova, que propõe a promoção de edifícios com emissões líquidas zero ao longo de todo o ciclo de vida, incluindo explicitamente a etapa de obra.

Esse conjunto de iniciativas reforça uma mudança relevante de paradigma, na qual o canteiro de obras passa a ser entendido como parte integrante da agenda de sustentabilidade, e não apenas como uma etapa transitória até a entrega do empreendimento. Com esse novo contexto, atividades tradicionalmente avaliadas apenas sob a ótica da produtividade e da segurança passam a ser analisadas também pelo seu impacto ambiental.

A movimentação e o içamento de cargas se inserem exatamente nesse ponto. Embora raramente apareçam como protagonistas nos debates sobre construção sustentável, essas operações atravessam toda a dinâmica do canteiro e influenciam diretamente no consumo de energia, na geração de resíduos, no tempo de obra e impactam até mesmo o entorno urbano.

Logística de içamentos influencia no impacto ambiental

O canteiro de obras concentra uma série de fatores que ampliam emissões indiretas e desperdícios quando mal gerenciados. Equipamentos pesados em operação contínua, retrabalho decorrente de falhas logísticas, danos a componentes estruturais e atrasos no cronograma formam um ciclo que eleva o impacto ambiental da obra como um todo. A movimentação de cargas está no centro desse processo, especialmente se pensarmos que cada içamento adicional, ou reposicionamento desnecessário, ou falha de planejamento se traduzem em mais tempo de equipamento ligado, maior consumo de combustível ou de energia elétrica e maior desgaste de materiais.

Por outro lado, quando o içamento é tratado de forma estruturada, com planejamento adequado e integração à logística geral da obra, o efeito é inverso. Movimentos redundantes são reduzidos, o retrabalho é minimizado e o uso dos recursos disponíveis passa a ser otimizado. Em termos ambientais, isso significa menos emissões associadas à execução, menor geração de resíduos e menor interferência urbana. Este exemplo mostra que o içamento não é um elemento neutro na equação da sustentabilidade. Ele pode atuar como amplificador de impacto ou como aliado silencioso na redução da pegada ambiental do empreendimento.

Mas como fazer isso na prática? A resposta começa no planejamento. Quando o plano de içamento vai além de uma abordagem de segurança e passa a ser encarado também como ferramenta de eficiência operacional, ele orienta decisões que reduzem desperdícios ao longo de toda a obra.

Podemos listar como exemplos a definição correta de sequências, a escolha de equipamentos compatíveis com as cargas e o sincronismo entre entrega de materiais e capacidade de içamento. São práticas que contribuem para encurtar prazos e diminuir o tempo de operação. Essa racionalização se reflete diretamente na redução do consumo energético e das emissões associadas.

Modernização do içamento contribui para obras mais sustentáveis

A tecnologia também desempenha papel relevante nesse processo. O setor de guindastes e gruas vem incorporando soluções mais eficientes do ponto de vista energético, como equipamentos elétricos, sistemas híbridos e controles inteligentes que ajustam o consumo à carga efetiva. Além da redução de emissões diretas, esses equipamentos oferecem ganhos importantes na diminuição do ruído, fator cada vez mais relevante em obras localizadas em áreas urbanas densas. Certificações ambientais e legislações municipais tendem a valorizar cada vez mais esse aspecto, reforçando a importância de escolhas tecnológicas alinhadas à sustentabilidade.

Outro ponto frequentemente subestimado está nos produtos e acessórios que viabilizam as operações de içamento. Cabos de aço, lingas, manilhas e sistemas de amarração fazem parte de um conjunto crítico que, quando mal especificado, gera substituições frequentes, descarte prematuro e aumento do consumo de matéria-prima. A escolha de produtos com maior durabilidade e desempenho adequado à aplicação reduz a necessidade de reposições ao longo da obra, diminuindo resíduos e a demanda por novos insumos.

Nesse sentido, a especificação técnica correta passa a ser referência ambiental, tendo seu escopo ampliado para além da segurança e do desempenho. Produtos mais duráveis e corretamente dimensionados reduzem o impacto ao longo do ciclo de vida da obra e contribuem para uma lógica mais eficiente de uso de recursos.

Ao observar esse conjunto de fatores, fica evidente que o setor de içamento e movimentação de cargas pode assumir um papel mais estratégico na transição para uma construção civil mais sustentável. Isso não significa deslocar o foco para um único elo da cadeia, mas reconhecer que decisões relacionadas ao içamento influenciam diretamente indicadores ambientais relevantes. Empresas especializadas em soluções de elevação têm a oportunidade de contribuir desde as fases iniciais do projeto, apoiando escolhas técnicas que reduzam impactos ao longo de toda a execução.

Diante de iniciativas públicas e privadas que passam a exigir edificações com menor pegada de carbono ao longo de todo o ciclo de vida, ignorar a fase construtiva deixa de ser uma opção. O canteiro passa a ser avaliado com o mesmo rigor aplicado ao edifício em operação. Assim, elevar o padrão técnico e operacional do içamento é uma forma concreta de reduzir emissões, desperdícios e impactos urbanos, sem comprometer a produtividade ou a segurança.

A sustentabilidade na construção civil não será alcançada apenas com novos materiais ou sistemas mais eficientes de climatização. Ela exige uma visão sistêmica, capaz de integrar planejamento, tecnologia, execução e responsabilidade ambiental. O setor de içamento, ao aprimorar seus processos, produtos e práticas, contribui diretamente para esse avanço. Tornar o içamento mais eficiente é, também, uma maneira de tornar a construção civil mais responsável, resiliente e alinhada às exigências de um futuro de baixo impacto ambiental.

Sobre a Acro Cabos

Especialista em soluções para elevação, amarração e movimentação de cargas, a Acro Cabos de Aço atua no mercado há mais de 25 anos. A empresa é reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços, que atendem às mais rígidas exigências do mercado com certificações que atestam seu compromisso com a segurança e a qualidade. Saiba mais: https://www.acrocabo.com.br/


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