Automação sem segurança aumenta o risco operacional nas esteiras de software
Por Ramon Ribeiro, Diretor Comercial da Solo Network e CTO da Solo Iron
Automatizar o desenvolvimento virou regra. Fazer deploy várias vezes por dia, rotina. Mas em muitas empresas, a velocidade das entregas avançou mais rápido que a capacidade de proteger o processo. Sob pressão por resultados rápidos, muitas empresas adotaram pipelines automatizados de integração contínua e entrega contínua (CI/CD) para acelerar testes, builds e deploys. Contudo, nem sempre a segurança acompanhou esse impulso: em muitos casos, essas esteiras de software foram aceleradas sem a devida implementação de controles de segurança.
O resultado são pipelines rápidos demais para serem seguros, nos quais ganhos de produtividade podem se converter em novas vulnerabilidades. A falta de segurança no processo não só aumenta o risco de violações e falhas, como também cobra seu preço em retrabalho e interrupções inesperadas no software que está em produção.
Segundo o relatório State of the Software Supply Chain 2024, da Sonatype, as detecções de incidentes nesse vetor dobraram em relação ao período anterior, e o Verizon Data Breach Investigations Report de 2025 aponta que 30% das violações de dados já envolvem terceiros, o dobro do que se registrava anteriormente.
Um dos vetores que mais aceleraram o desenvolvimento de código foi a automação dos pipelines de integração e entrega contínuas (CI/CD). O que antes levava semanas passou a acontecer em minutos. Ferramentas como Jenkins, GitLab CI, GitHub Actions e Azure DevOps permitiram que equipes de desenvolvimento orquestrassem builds, testes e deploys com uma eficiência antes inimaginável. Essa aceleração, porém, criou um paradoxo perigoso: quanto mais rápida e automatizada a esteira, maior a superfície de ataque disponível para agentes maliciosos, especialmente quando controles de segurança não acompanham o ritmo da entrega.
Acelerar a todo custo: quando a segurança fica para trás
A cultura “DevOps” espalhou-se como resposta à demanda por entregas mais rápidas e frequentes. Porém, em meio à adoção generalizada de automação, a segurança muitas vezes ficou relegada a segundo plano. Muitas equipes temem que incorporar checks de segurança possa desacelerar o pipeline, e acabam lançando funcionalidades sem a devida validação de vulnerabilidades.
Há também um descompasso organizacional: embora 91% das empresas digam ter adotado práticas de DevSecOps em algum grau, a maioria enfrenta dificuldades para implementá-las de forma eficaz em larga escala. Em especial, muitas relatam problemas para integrar os resultados de múltiplas ferramentas de segurança ao fluxo de trabalho e para automatizar políticas de proteção via infraestrutura-como-código – o que demonstra que a segurança ainda não está realmente integrada ao processo de desenvolvimento.
Além de processos falhos, faltam controles básicos nas ferramentas de CI/CD utilizadas. Por exemplo, não é raro pipelines operarem sem autenticação multifator habilitada nas plataformas de integração, ou com credenciais de acesso e chaves API armazenadas em texto plano nos repositórios. Boas práticas como aplicar o princípio de privilégio mínimo às contas de serviço e utilizar cofres de segredos para gerenciar senhas e tokens de forma segura acabam negligenciadas.
Sem essas salvaguardas, uma esteira automatizada se torna um alvo fácil para invasores. E o cenário é agravado pela falta de profissionais qualificados em segurança: no Brasil, várias pesquisas, realizadas por diferentes empresas, apontam que ao menos 70% das organizações reportaram ter sofrido invasões recentemente que atribuem em parte à escassez de habilidades de cibersegurança em suas equipes. Ou seja, sem gente e cultura preparadas para tratar da proteção, cresce a tendência de a segurança ficar de fora da equação.
DevSecOps: velocidade com segurança
Reverter esse quadro exige incorporar a segurança como elemento nativo das esteiras de desenvolvimento – é aí que entra o movimento DevSecOps. Dentro desse framework, falhas são detectadas e corrigidas o quanto antes. Por exemplo, vulnerabilidades podem ser identificadas já nas etapas de planejamento e codificação, sendo sanadas antes da entrega final – evitando retrabalhos posteriores e até acelerando o tempo de lançamento.
Adotar DevSecOps também envolve mudança cultural. Equipes de desenvolvimento, operações e segurança precisam trabalhar de forma colaborativa e com responsabilidade compartilhada pela proteção. E, ao incorporar controles de segurança no dia a dia do desenvolvimento, as empresas reduzem drasticamente as chances de brechas passarem despercebidas e ainda economizam com incidentes evitados.
Um ponto importante é que a segurança integrada não precisa sacrificar a velocidade – na verdade, pode até aprimorá-la. Ao resolver vulnerabilidades no ato em vez de apagar incêndios depois, os times economizam tempo e entregam software de melhor qualidade. Uma pesquisa da Insight Avenue, realizada em 2022, indicou que 69% das empresas que adotam essa abordagem conseguem aumentar a agilidade dos negócios, além de melhorar a gestão em ambientes híbridos. Ou seja, desfaz-se o mito de que segurança é sinônimo de lentidão: quando bem aplicada, ela vira sinônimo de eficiência.
Adotar o DevSecOps e incorporar controles robustos nas esteiras de desenvolvimento permite acelerar com segurança – colhendo os frutos da produtividade contínua sem abrir brechas para ameaças. No atual cenário de ataques cada vez mais sofisticados, alinhar velocidade e segurança deixou de ser opcional e tornou-se peça-chave para a sustentabilidade operacional e a confiança no negócio.
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