10/04/2026

A expansão da conectividade satelital redefine o papel do FWA nas redes de acesso

Por Andreia Rosa, Especialista de Produtos e Vendas da Deutsche Telekom Global Business Solutions Brasil

 

A parceria entre operadoras de telecom e empresas de satélite sempre foi fundamental para oferecer serviços de telefonia e conexão, mas nos últimos anos a integração aumentou e isso possibilita às operadoras habilitar novos serviços que integram a infraestrutura terrestre e a habilitada por constelações de satélites de baixa órbita (LEO), criando serviços de conectividade com várias camadas, que abrangem a conexão fixa, a móvel e a satelital de banda larga.

Dentre esses tipos de conexão a realizada por constelações satélites de baixa órbita é a mais recente e começou a avançar no Brasil, principalmente após 2022, com a chegada ao país do principal player do setor, a Starlink. Desde então a demanda do mercado e a atuação da Anatel, que tem sido ágil em outorgar a ampliação de um número cada vez maior de satélites da própria Starlink, além de permitir o ingresso de outras empresas que oferecem esse tipo de serviço, possibilita ao consumidor brasileiro se conectar à internet em locais onde antes seria impossível ou no mínimo restritivo.

 

Conexão em todas as operações produtivas

O avanço da conectividade por satélite possibilita às empresas desenvolver uma infraestrutura de rede que capaz de cobrir todas as suas operações. O que é ideal para um país com dimensões continentais, áreas de proteção ambiental e onde importantes atividades produtivas como o agronegócio e a mineração tem operações localizadas em regiões de difícil acesso, isoladas e onde a baixa densidade populacional são fatores que tornam inviável a construção de uma infraestrutura de rede fixa.

Por meio da conexão satelital as empresas do agronegócio ou mineração com operações em locais de difícil acesso e isoladas podem, por exemplo, conectar todas as suas propriedades, desta forma os gestores na matriz têm acesso a informações em tempo real das práticas produtivas, do clima, podem saber se os profissionais estão usando os equipamentos de segurança de forma adequada, entre outros. A conectividade também facilita a integração de dados obtidos por equipamentos IoT aos sistemas de gestão e o acompanhamento contínuo da produção.

As empresas que exercem atividade logística podem fazer o monitoramento em tempo real de veículos como ônibus, caminhões, trens, barcos ou navios, mesmo quando eles trafegam por uma área de sombra, onde a conexão móvel 4G /LTE e 5G ou Wi-Fi não está disponível, mantendo a operação logística sempre conectada, o que aumenta a segurança no transporte das mercadorias. Mas os benefícios não são restritos aos locais de difícil acesso ou áreas de sombra. Nos centros urbanos os satélites de baixa órbita podem atuar como uma redundância em caso de interrupções causadas por rompimento de cabos.

 

Benefícios econômicos e sociais

Atualmente a Starlink tem cerca de 9.700 satélites em órbita e em abril de 2025 a Anatel autorizou a empresa colocar na órbita brasileira até 11.908 satélites. A atuação da agência tem sido importante para o desenvolvimento econômico e social do país, pois a ampliação da conexão satelital não gera benefícios apenas à atividade produtiva. As constelações de satélites são importantes para o desenvolvimento de projetos sociais que levam internet a escolas e proporcionam o atendimento via telessaúde para populações que residem em regiões isoladas do país.

O avanço da conexão satelital pode levantar dúvidas sobre o atual papel do FWA (Fixed Wireless Access) na arquitetura de rede das empresas. Mas segundo a consultoria Omdia, o FWA é a tecnologia de acesso à banda larga com maior taxa de crescimento no mundo e o número de assinaturas de banda larga fixa sem fio via redes 5G deve crescer de 71 milhões em 2024 para 150 milhões em 2030. A consultoria ainda prevê que as assinaturas de FWA 5G devem crescer a uma taxa anual de 23% até 2030.

O papel do FWA também vai além do desenvolvimento econômico. A tecnologia foi usada em projetos realizados pelo Ministério das Comunicações, em 2025, para conectar escolas públicas em áreas rurais e isoladas e ofereceu desempenho comparado ao da fibra óptica e capacidade para atender aos parâmetros da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC).

 

Conectividade em várias camadas

As duas tecnologias devem coexistir atendendo diferentes necessidades geográficas e de uso. Os satélites de baixa órbita são fundamentais para prover conexão onde não há torres de celular próximas ou backhaul de fibra, onde implementar o 4G/LTE ou 5G pode não ser viável e em aplicações que demandam conectividade em movimento. Já nas áreas urbanas e regiões com redes móveis estruturadas e densidade de antenas, o FWA é uma opção para a última milha com performance semelhante à fibra.

Para o setor produtivo ou mesmo para o consumidor final o FWA é uma alternativa prática em substituição aos cabos de fibra óptica no last mile (última milha) por dispensar a necessidade de cabeamento, que pode ser difícil devido a condições geográficas ou onde a densidade populacional seja baixa, o que pode comprometer o investimento na fibra óptica terrestre. O FWA ainda pode solucionar problemas de conexão em prédios ou centros empresariais onde não seja possível passar mais cabos.

Aos que se preocupam em como essas conexões podem atender às demandas do setor produtivo, tanto os satélites de baixa órbita como o FWA podem entregar velocidades de banda larga fixa. Segundo pesquisa da Ookla, a velocidade média de download da Starlink no Brasil em 2025 foi de 100,5 Mbps e a velocidade de upload foi de 16,3 Mbps. Como efeito de comparação a velocidade média de um satélite geoestacionário, ou seja, a 36 mil km de altitude, foi de 39,8 Mbps de download e 1,11 Mbps de upload.

Para fazer a medição a Ookla consolida testes de voluntários de usuários coletados ao longo do ano na plataforma Speedtest e o desempenho não foi feita apenas com as antenas para aplicações profissionais como a Flat High Performance desenvolvida para aplicações de alta criticidade, capaz de até mais 400 Mbps de download e que suporta conexão em movimento, mas também foram usados os testes de desempenho da antena Mini. E o FWA 5G pode atingir velocidades semelhantes ou maiores conforme a proximidade de antenas e a disponibilidade de espectro.

A combinação dos satélites de baixa órbita e do FWA a uma arquitetura de rede bem estruturada com conexões fixas e gerenciada por meio de software, SD-WAN, permite que as empresas integrem perfeitamente as operações remotas e em movimento às suas matrizes, otimizando o desempenho de aplicativos, sistemas de ERP, aprimorem a resiliência geral da rede, resultando em melhores processos administrativos e decisões de negócios.

 

 

Sobre a Deutsche Telekom Global Business    

A Deutsche Telekom Global Business foi criada na Alemanha em 2020 para ser a unidade de negócios de serviços de comunicação e conectividade do grupo Deutsche Telekom para clientes B2B. A Deutsche Telekom Global Business foi lançada no Brasil em 2023, mas o grupo já atua com serviços de telecomunicações desde 2005.  

A empresa atua em mais de 25 mercados ao redor do mundo e tem cerca de 3 mil funcionários. O portfólio de serviços está focado em redes corporativas flexíveis e seguras como base para a digitalização e a consultoria estratégica está no centro do modelo de negócios. O portfólio de soluções inclui Links de internet, Lan to Lan, SD-WAN, MPLS (Multi-Protocol Label Switching), FWA (Fixed Wireless Access), conexão por satélite, Wi-Fi e soluções de conectividade IoT/M2M.  

A Deutsche Telekom é a operadora líder na Europa, com mais de 273 milhões de clientes móveis, 24 milhões de linhas fixas, 22 milhões de linhas de banda larga e 200 mil funcionários em todo o mundo.  

Mais informações: https://www.telekom.com.br  


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